terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Anjos e Demónios


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Sente-se uma brisa no ar

nesta fria tarde de inverno,

neste local perdido na serra...

Lá fora, sente-se o silêncio

que a pedra sabe esconder...

As velhas de negro, trocam olhares,

e nada mais têm a dizer.

De repente, uma pomba a esvoaçar,

e todos levantam as mãos de susto,

julgando ser o demo a passar.

Que quadro medonho e frio...


Continuo meu caminho por entre o casario,

escuro, sem luz, caminhos de terra batida...

Ali, velas a meia luz, e vultos passeando

por entre quatro paredes escuras.

Mais além, risos demoníacos,

gargalhadas que nos trespassam a alma,

gritos de dor de alguma mulher parindo,

ou vendo seu filho sendo levado...

Este quadro me arrepia, e sinto-me em perigo

num mundo que não é o meu...estou de passagem,

e desato a correr procurando meu abrigo...


Escondo-me por entre mantas e cobertores,

e sinto em meu corpo suores frios de outrora,

talvez lembranças de guerra, outros odores...

Na minha cabeça, música mística em coro,

umas vezes forte, outras em suave melodia,

(e sinto que até a música é fria..)

Talvez não venha ninguém a esta casa,

talvez não saibam que eu existo,

talvez eu seja um protegido da desgraça...


Toca o telefone e eu sinto-me acordar,

sinto-me renascer de um pesadelo...

A pouco e pouco liberto a cabeça.

O dia está lindo e ouvem-se as pessoas na rua,

o burburinho de um dia normal,

Como é bom assim acordar,

e de um sonho mau me libertar...

9 comentários:

  1. Lindo! Lindo Alex*
    Beijos mil Rêruivinha******

    *Os Degraus
    Mário Quintana

    Não desças os degraus do sonho
    Para não despertar os monstros.
    Não subas aos sótãos - onde
    Os deuses, por trás das suas máscaras,
    Ocultam o próprio enigma.
    Não desças, não subas, fica.
    O mistério está é na tua vida!
    E é um sonho louco este nosso mundo...*

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  2. A noite faz o silencio,
    mas o ladrão de sossego
    barulhento e desordeiro,
    assusta os homens...
    O calor do verão, tem frias
    as mãos,
    como a primavera sem flores
    pelos temores, do vento
    nesse silencio
    arrepiante, da maldade alheia,
    no coração d'outros homens...


    Belíssimo texto Alex
    na realeza do sonho...

    Bjss
    Livinha

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  3. Oi Alex
    Nossa vida povoada de sonhos.As vezes assim, escuros,arrepiantes.Acordar, que alívio!
    Vamos nos vendo por aqui,voce em Gaia , essa cidade que abriga poetas e eu por aqui a acompanhar-te.Preciso de palavras.è o que me acalma .
    meus abraços

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  4. Alex, você é um doce de amigo. Amo as suas visitas.
    Ofereço em troca de tanta candura este meu poema de que gostou + Beijos RêRuivinha*****

    *A QUE PONTO PODEMOS AMAR!
    Poema da Renata à querido Alex*

    Emocionar-me perto de ti
    Falar delicada e sinceramente
    Não me cansar do conforto que me dás
    Encher os meus gestos de ternura
    Fremir ao contato da tua pele
    Não poder ficar sem teu corpo e tua alma
    Vibrar uma noite ou uma vida toda
    Trocar beijos roubados
    Esquecer tudo nos teus braços
    Comer os teus olhos de tão lindos
    Mas neste momento é sobretudo chorar
    Perto do teu sorriso, dos teus braços, de ti
    A que ponto podemos amar?
    Sem ponto final*
    ***
    Muito obrigada. Adoro pessoas gentis e amáveis.
    Lindos dias sempre*

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  5. Caro amigo.

    A vida de muitas pessoas é também um sonho mau.
    Acordar deste pesadelo é reencontrar um sentido para a vida.

    Fica com os sonhos sempre.

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  6. Alex,

    Sonho ruim é puro desgaste.
    Que tenhamos sempre bons sonhos.:)

    Beijos.

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  7. Amigo, muitas vezes o silêncio nos domina e acabamos em uma fria realidade, tudo fica em tom de cinza quando olhamos e vemos a escuridão que nos rodeia.
    Ainda bem que foi só um sonho e a vida bela e coloria logo se abriu para te fazer sorrir!

    Beijo.

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  8. Oi Alex
    Volta! saudade dos seus poemas.
    abraços

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