terça-feira, 31 de dezembro de 2013

domingo, 29 de dezembro de 2013

silêncio...




e tudo se resume a silêncio,
inquietação... dor!!
e o tempo que nada diz,
até parece aprendiz
nas tardes sem luz, sem cor...





sábado, 28 de dezembro de 2013

momentos...



despidos de medos,
de desassossegos,
sentimos o desabrochar
das flores inertes,
e tacteando, seguramos firme
quando em acelerado escalar...

é assim que sinto teu respirar
quando teus olhos vêm o horizonte,
e os meus, a estreita passagem,
onde se derretem a doçura e o prazer
como nos sonhos, sem qualquer miragem...



domingo, 22 de dezembro de 2013

outra face da história...


como noutros tempos,
tempos que chamaram de  Natal,
abeirou-se de um barraco,
apenas palha e madeira seca,
e com a manta que trazia,
fez um leito, ainda que parecesse mal,
e no canto uma chama, que a aquecia.

passavam as pessoas,
espreitavam e murmuravam
"quem seria a desconhecida"??
e ela mantinha-se só, apenas só,
aguardando seu tempo,
um tempo fora do tempo,
porque o tempo, de ninguém tem dó...

chegaram as horas da libertação,
da dor, do sufoco,
do desconhecido e da imaginação,
até que gemidos se ouviram,
gritos de criança, tamanha aflição
que as pessoas ouviram e seguiram
até o interior do barracão...

benzeram-se, choraram...
aquela história, sim, era igual à outra,
uma outra que lhes contaram
quando meninas, ainda sem pecado,
e o menino que nascia, podia nem ter pai,
um pai imaculado,
mas um qualquer, sem trabalho, ou do acaso...

chamaram o padre da aldeia,
a fanfarra, a bicharada que por ali andava,
e foi tão grande a algazarra
que até o menino sorria...
trouxeram migas de vinho, canja de frango...
o menino provava, o menino comia,
e por ali ficaram, noite após noite, dia após dia...



sábado, 21 de dezembro de 2013

na noite...





anoiteceu tão rápido...
vieram os senhores do tempo
e levaram o sol, a luz,
levaram a magia 
que me permitia ver teu olhar...
vez, sem esse encanto,
como vou adivinhar
o que me quer dizer teu olhar?
e se me mentes,
se me dizes o que não sentes?
não, não digas nada,
as luzes da madrugada
são infiéis...
são sombras perdidas
aqui e ali, entre os casais escondidas,
e de tanto saberem, tornaram-se cruéis,
nas mentes, visão perturbadora e tão malvada...



vidas...




tudo em volta parece não ter vida...
sem folhas, parecem secos os ramos
esperando o corte cruel da tesoura.
mesmo ao centro, uma fogueira,
um altar, onde arde a paixão
em tons de azul, de cinzento, baloiçando
ao ritmo intenso do coração...
e assim ganham vida, outras vidas...


domingo, 15 de dezembro de 2013

BOM DOMINGO!!



os Domingos deveriam ser sempre assim...
manhãs de sol, de poesia, de encanto.
apesar da brisa fria no rosto, no olhar
o brilho estampado, qual diamante lapidado



sábado, 14 de dezembro de 2013

sonho e fantasia...



são tão breves os sonhos,
longos os invernos sem a manhã,
fugazes as tardes de verão
como a areia que nos foge da mão...

mas hoje brilham mil lâmpadas por aí,
mil sonhos de criança...
hoje ouço vozes, talvez a fantasia
em cada piscar de luz na noite fria.

riem-se meus pensamentos,
meus ideais de ontem, de sempre.
quisera eu ser fantasia de natal,
longas barbas, sorriso contagiante,
pudera eu ter renas que voam,
e de estrela em estrela cintilante,
abraçar os sonhos, os sonhos de ontem,
de hoje, de amanhã,
e num click, dar-lhes vida,
um sorriso, uma história, ou um "até já"...

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

batalhas...






descansa o guerreiro das suas batalhas perdidas,
dos monstros que criou e que se vingaram,
o amedrontaram num castelo de sonhos...

talvez os medos se levantem na escura noite
e o enfrente, olhos nos olhos, medo com medo,
e definitivamente se tomem até o fim dos tempos...

descansa o guerreiro das suas batalhas perdidas,
e são tantas as mágoas, indecifráveis as feridas...

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

palavras...



encantam-me as palavras não ditas
mas que leio nos teus olhos, escritas
em tons doces de mel,
e que soletraria letra a letra
como que lendo em folha de papel...

mas se ao ler, teus olhos sorrir,
podes crer, irei á raiz da escrita
onde não há engano, nem forma de fingir,
teu pensamento, teu coração,
onde o amor tudo regista...



segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

até amanhã....




é na manhã que teus olhos brilham,
quando do azul do céu renasce
o insondável querer de seres anjo...

um anjo com asas de amor
e corpo de prazer...

domingo, 1 de dezembro de 2013

bom domingo...





talvez seja o ritmo do tempo,
as horas marcadas pelo compasso
lento e tão certo do relógio...

talvez seja click do pensamento,
querendo preencher o espaço
ditado pela tua ausência...

sim, faz-me falta aquele abraço
perpetuado nas manhãs 
e abençoado pelo vento...



sábado, 30 de novembro de 2013

jogos de amor...



belos os jogos de amor,
as carícias, o sentir
suave da pele,
o beijo quente,
os lábios em tom ardente,
a boca em delírio
no corpo em martírio
pela exaltação
dos sentidos...

loucos os jogos de amor,
inocentes os amantes,
incautos e seduzidos pela dor,
são deles as estrelas mais brilhantes
iluminando os jogos proibidos...



sexta-feira, 29 de novembro de 2013

as vides...



aguardam o corte, as vides
quase despidas,
no seu ego, sofridas,
pelo parto roubado
e na boca de quantos saciado...

tristes na dor os amantes
por quem acolheu os viajantes
nas manhãs quentes de verão,
e breve, será apenas lenha no chão...

terá coração o podador
em cada golpe, em cada corte,
ao ver a lágrima que verte
numa vide, por ser sido bago,
por ter sido alma num dia de sorte?







terça-feira, 26 de novembro de 2013

retrato....



de que falam os olhos que nada vêm,
se não vêm a cor da palavras,
as expressões das sílabas,
ou o sentido que contido têm...

nos olhos, uma venda , um lacre,
nas mãos, uma folha de papel,
uma caneta... ah, e quero um banco no jardim...
dêem-me o som dos pássaros,
e eu desenharei o céu em tons pastel
e um retrato nu, um nu repartido de mim...

domingo, 24 de novembro de 2013

o som do silêncio...




é triste e fala mais alto o silêncio
quando o dia já clareou,
os carros se amontoam nas ruas,
as varinas apregoam o peixe,
e até se ouve o silvar do metro...

porque eu sei que o silêncio
é a vontade de falar, deixar fluir
o que enche a alma...

tão difícil este parto, 
tão fácil tudo ruir,
como um baralho de cartas
tentando tocar o infinito...



domingo, 17 de novembro de 2013

outono...


manhã de Outono,
fria e cinzenta,
sem chama,
sem história. atenta
a primavera da vida,
escutando os sinais
no pio dos pardais,
mensagens de quem ama...

as manhãs de Outono
não são sempre iguais...
quem ousa escutar o vento,
ler nos sinais do tempo
os desabafos da alma,
os gritos contidos de um corpo sedento?

sabes, ainda ouço o silêncio
das quatro paredes,
o murmúrio das vozes
por entre os lençóis,
o gemer dos corpos
no ímpeto do prazer a dois...

finjo tudo esquecer
na manhã fria de Outono.
tanto mar, tanto mar, tanto caminhar
pelas areias limpas, em que me abandono...