quinta-feira, 17 de outubro de 2019

apenas quimeras...


era o tempo da quimera,
dos sonhos, da esperança,
das planícies pintadas de primavera,
dos mares calmos até onde a vista alcança...

esse era o tempo do paraíso, vandalizado neste tempo
presente, novelos de dor, guerra... tanto tormento!

viajando sobre as nuvens,
tinha o mundo na palma da mão,
retrato sem dó, sem filtro,
apenas um "ai" sofrido, roubado ao coração.

tão fácil virar tudo de pernas para o ar,
e tal e qual um apagão, tudo se perder
num mar irado, de lixo a abarrotar,
cascos de barcos em chama lenta a arder!

aquele era o tempo das quimeras,
tomado de assalto por qualquer bando de feras....


palpitações....



ainda sinto o calor em minhas mãos
de teu corpo em brasa,
na longa madrugada
até nascer a aurora.

eram teus seios socalcos
de vinhedos perdidos, mas tão íngremes,
como se não houvera vindima
nem chuvas de inverno.

perdia-me, como se perdem os inocentes
por entre as veredas da floresta,
onde tudo é luz, rumor de mar e farol
pela cegueira do querer...

não queiras ler meus olhos
nem as palpitações em desaceleração,
são minhas mãos em tuas mãos
quem move o mundo a cada segundo,
a cada novo raiar do dia...


quinta-feira, 10 de outubro de 2019

só o silêncio...



ouve o silêncio das palavras,
do sorriso nos lábios entreabertos,
d
as árvores, com os ramos 
suspensos no vazio...

ouve o murmurar da lua
no infinito universo,
iluminando os casais de namorados
no silêncio abraçados.

perde-te onde não te encontras,
ainda que a praça esteja repleta de gente,
mas tu tão só, tão ausente,
só assim ouvirás o silêncio.

chiu, chiu... eu sou o silêncio,
companheiro das palavras mudas,
das mentes sisudas,
das histórias que à falta de som,
ficaram por contar....




quarta-feira, 9 de outubro de 2019

no vento que passa...




no vento que me envolve,
no ar que não respiro,
um leve suspiro
no tempo que tudo resolve...
deixo-me embalar,
deixo-me guiar,
afinal o mar está tão perto,
e o areal, um imenso deserto
onde os sonhos ainda vagueiam.
paro e escuto... são teus passos que me rodeiam...


terça-feira, 24 de setembro de 2019

apenas um filme...



atento, escuto o silêncio
apenas quebrado pela incursão de teu olhar,
por cada "passo" teu num mundo só meu...

se pudesses auscultar
o sangue que corre em minhas veias,
em cada gota, mil histórias para contar,
um filme colorido,
sorrisos, um beijo "proibido",
abraços em "passo" corrido...
ah, se pudesses tocar...

atento, escuto o silêncio
agora que estás ausente,
mas tão presente...

tão frias as paredes deste quarto,
os cortinados impecavelmente alinhados,
mas lá fora... o sol continua a sorrir,
indiferente a todos os meus fados...

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

ondas ao vento...



como se pudesse navegar
nas ondas de teus cabelos,
preparo meu barco de brincar,
casco de seda, onde as velas são meus dedos...

navego sem destino,
com tanto a descobrir
num corpo em desatino
ávido de prazer e sentir...

meu porto de abrigo?
meu areal estéril e perdido?
assim és tu, meu descontentamento,
rio árido, leito de tormento...



domingo, 22 de setembro de 2019

no templo...




de mente aberta,
coração atento,
entro no templo
onde a Palavra faz sentido...
voa o pensamento pelo imaterial,
pelo divino,
por entre os cânticos do coro,
entra na alma
como gotículas de soro
que nos alimenta, nos acalma...

faz-se tarde,
e não tarda, fecha-se o Paraíso,
interiorizo o certo e o indeciso,
chama que queima, mas não arde.

de mente aberta
sigo o meu caminho,
umas vezes recto, outras em desalinho...

sábado, 21 de setembro de 2019

pingos de chuva...



suavemente libertam-se os pingos de chuva,
como dádiva de vida
a quem a morte já chamava...
tento acariciá-la por entre os dedos,
prendê-la, ou na pele se envolver
como bálsamo de vida, requinte de prazer...
no jardim tudo é quedo
como que embriagado pela frescura tão desejada,
e até as aves antes inquietas e tontas, se acoitam
em copas de árvores agradecidas aos céus...
sorriem meus olhos na manhã
pela quietude deste tempo,
pela paz, pelo momento,
e deixo-me adormecer... até já!





sexta-feira, 20 de setembro de 2019

álbum do tempo…




o tempo presente é como um álbum,
fotos, frases, lugares,
sorrisos límpidos ou de ocasião,
sentimentos escondidos da objectiva na mão...

passo o dedo por cada rosto
como se pudesse abrir sua alma, seu coração,
descobrir seus ideais, ou tão só... seus medos,
suas traições, seus segredos.

ah se o ser humano fosse uma caixa de madeira,
seca e polida, esventrada de emoções,
ou então uma flor, mil picos de roseira
que se corta, e seca ao sabor das estações...

corro a cortina do tempo, sagrado e profundo
qual álbum pessoal, inacessível ao mundo…





quinta-feira, 19 de setembro de 2019

asas de papel...




tudo fica perfeito
mesmo nascendo imperfeito,
se o saber é tanto
e tanto o querer...

assim, qual o espanto,
se te espero, amanhecer,
se te abraço, cada novo dia?

abrindo a janela de par em par,
um sorriso, esta alegria
incontida, este bater de asas, sem voar...





sexta-feira, 13 de setembro de 2019

“ruído”








é este rumor que me embala, 
cada onda de água viva e espuma
que se desfaz a meus pés,
leva o pensamento até o infinito, 
apenas quebrado por um ou outro barco parado na linha do horizonte...
manhãs de vida e ruídos de crianças, 
que nos levam à infância, 
ao mais puro de nós, 
retratos de beleza ímpar 
moldados de ingenuidade...





tempo presente...






(foto da net)

a rua continua no mesmo local,
nada mudou, ou antes, o tempo
rejuvenesceu-a, ficou mais atraente.
 
caminhando, passam por mim os presentes
e os ausentes (saudade!)... sim os ausentes
que também fizeram parte desta rua.
 
o tempo passou rápido, quantas vezes sem despedida
sem um último olhar, um até já...
olho as janelas, algumas há tanto tempo fechadas,
cortinados em desalinho, sem uma alma a espreitar.
 
sigo em frente, talvez deva olhar em frente.
este tempo, este presente,
pouco ou nada me diz. talvez a ilusão em minha alma
arrefeça um sangue ainda em ebulição... preciso de paz, de calma...



podia...







posso esquecer ou fingir,
que apago da memória
pedaços de vida, tanta história...
posso até fazer de conta,
que o brilho desse olhar
já nada diz... oh, não vale enganar
o que bate, bate, bate sem parar...