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sábado, 14 de maio de 2016
beijo-te, Mãe...
há dias que têm este condão,
este querer de entrar na gente,
no mais intimo do coração
e fazer sofrer, a alma que muito sente...
sabes Mãe, lembro quando era pequenino,
também gostei de brincar,
brincadeiras de menino
que eu imaginava e inventava,
e lembro que era franzino,
talvez por isso me isolava
num espaço só meu,
meu território,
um castelo aberto para o céu...
havia meninos que riam,
e à distância, penso até que gozavam,
e tu me defendias
como Mãe enorme que sempre foste...
hoje, olho teu rosto, teu andar,
e sei que continuas enorme,
enorme no teu coração,
mas mais débil se precisasses de me amparar...
por isso Mãe, agora é minha vez
em cada vez que o desassossego chegar,
de sentires que estou a teu lado
te protegendo, se preciso lutar,
mesmo que a luta seja desigual...
beijo-te, Mãe...
domingo, 22 de dezembro de 2013
outra face da história...
como noutros tempos,
tempos que chamaram de Natal,
abeirou-se de um barraco,
apenas palha e madeira seca,
e com a manta que trazia,
fez um leito, ainda que parecesse mal,
e no canto uma chama, que a aquecia.
passavam as pessoas,
espreitavam e murmuravam
"quem seria a desconhecida"??
e ela mantinha-se só, apenas só,
aguardando seu tempo,
um tempo fora do tempo,
porque o tempo, de ninguém tem dó...
chegaram as horas da libertação,
da dor, do sufoco,
do desconhecido e da imaginação,
até que gemidos se ouviram,
gritos de criança, tamanha aflição
que as pessoas ouviram e seguiram
até o interior do barracão...
benzeram-se, choraram...
aquela história, sim, era igual à outra,
uma outra que lhes contaram
quando meninas, ainda sem pecado,
e o menino que nascia, podia nem ter pai,
um pai imaculado,
mas um qualquer, sem trabalho, ou do acaso...
chamaram o padre da aldeia,
a fanfarra, a bicharada que por ali andava,
e foi tão grande a algazarra
que até o menino sorria...
trouxeram migas de vinho, canja de frango...
o menino provava, o menino comia,
e por ali ficaram, noite após noite, dia após dia...
domingo, 3 de fevereiro de 2013
tempos de menino...
lembro..ainda era menino,
menino de escola,
numa mão, lancheira com o almoço,
na outra os livros na sacola.
e este menino sonhava
(coisas que já não lembra),
e a mãe que da vida era escrava,
o pouco que tinha, o pouco lhe dava.
mas tudo tinha uma condição
porque na vida nada vem ter à mão,
e a caneta que ele tanto queria,
haveria de vir, na venda do que a terra dava.
e como ele ficou contente...
a caneta comprada na mercearia da aldeia,
era nova, de tinta permanente,
e vinha ainda em caixinha de cartão...
Não sei se muito escreveu
ou se deixou de escrever por falta de tinta,
mas na alma do menino que cresceu,
o desejo de escrever nunca mais acabou...
e hoje ele recorda com saudade
dos tempos que ser menino é ser grande.
porque vê toda a vida à sua frente...
o menino hoje já não usa caneta,
nem cadernos de linhas com muita vaidade,
o menino hoje, escreve para muita gente...
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Porque é Natal....
Andam soltas as pessoas...
sorriem, beijam...até dão presentes.
na sua alma, vejo que são boas,
e de tão boas, ficam contentes...
passa na rua um pobre desconhecido,
quem é? ninguém conhece...
pouco importa, tem aspecto de bandido,
e logo, logo, o pobre se esquece...
Piscam luzes nas janelas,
nas árvores, na torre da igreja,
se eu pudesse, queria ser uma delas
e a lua escureceria de inveja.
no altar da Igreja, o Deus menino,
está nu o pobrezinho...
faço-me de criança, ainda com tino,
e lhe ofereço ramo de azevinho...
sorrio para ele, ele sorri para mim
eu sei, a prenda tem pouco valor
e eu a roubei de um jardim,
mas ninguém viu.. só o Deus Maior
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