não sei o que vejo em teu olhar não sei decifrar o teu olhar... se te pedir ajuda, talvez inventes, mas sei que não mentes se entrares no meu olhar.... para quê as palavras, a monotonia do som, se em tão leves gestos sentir o bater de teu coração?
minhas mãos que julguei sábias, predestinadas, minhas mãos que julguei sagradas, na tua luta, teu sofrimento, nada fazem... oh, quanto lamento por serem objectos inúteis...
e apenas bastava um sinal da cruz, talvez um pouco de água benta, que tudo apaga, tudo afugenta, e de novo em ti fizesse renascer a luz...
como foi possível, que deuses permitiram que meus dedos, que meus finos dedos invadissem teu corpo, teu corpo perfeito, e chegassem ao teu perfeito coração?
coração de ouro, bordado de amor, tesouro escondido, talvez guardado para um amor renascido, aguardado, num perfeito dia, num dia Maior...
e aqui o tenho, entre os dedos da vida, ansioso pela esperança do amanhã, como se o ontem fosse causa perdida, como se o hoje se perdesse na manhã...
como foi possível, que deuses permitiram que meus dedos, que meus finos dedos tocassem teu corpo, teu perfeito coração?