quarta-feira, 10 de maio de 2017

talvez...





caminha o viajante por entre veredas,
longas estradas,
linhas imaginárias no horizonte
e o céu tão próximo...


talvez amanhã brilhe o sol...
talvez encontre o oásis perdido
por entre as areias do deserto sem fim...
talvez encontre pedaços de mim...





segunda-feira, 1 de maio de 2017

leve entardecer...





tão leve o amanhecer,
tão promissor este entardecer...


como se fosse Agosto,
como se os dias não tivessem horas,
assim são os dias de sol e de paz,
de silêncio, por entre o arvoredo,
por entre o colorido das rosas e dos liretes,
apenas interrompido pelo cantar do melro
ou das rolas nos cabos da rua...


abre-se a janela de par em par
como se a luz quisera entrar,
permanecer, dizer presente,
e batendo no coração diz suavemente:
"voltei, serei LUZ eternamente"...







sábado, 29 de abril de 2017

olhando as estrelas...






de onde vem este querer,
não querer,
este bem estar,
sem estar,
este constante palpitar,
como quem ousa viver
numa ilha perdida, isolada,
entre as estrelas e o mar?
perdido, errante, qual caminhante
sem tostão na algibeira,
segue em frente,
sem cidade que o acolha,
sem paragem na fronteira,
apenas e só o querer,
o estar
num qualquer barco sem remo,
baloiçando,
sonhando,
sempre que uma estrela brilhar...









terça-feira, 25 de abril de 2017

outras cores...








procuro e não encontro
porque não sei o que procuro
entre a luz e o escuro
que é tudo o que me rodeia...
apenas a flor,
o colorido no seu esplendor,
conseguem desviar meu olhar,
ver cor,
sentir o amor...







Luz....






ainda não é tarde no tempo,
o tempo que um dia adormeceu
perdido entre as serras e o céu...
no silêncio do momento,
fecha os olhos,
a sala apenas com a luz das estrelas
e o bater do coração,
no pensamento
talvez os sonhos, ou rebates de desilusão....
 
acende a luz,
não a luz que te faz ver, tocar cada objecto,
mas o interior de ti,
o mais intimo de ti,
como se fosses casa, sem parede, sem tecto,
apenas vida, fluido em evolução,
e vê, é apenas sentimento, chamamento do coração...







paz...








perfeita melancolia na tarde
ouvindo a chuva cair,
o crepitar da madeira que arde,
os olhos em sossego latente...

o pensamento querendo fugir
para um abraço, tão e tão presente,
perfeito equilíbrio, quase sedução
pelo tempo que faz,
como se não fora precisa oração
implorando, buscando paz...





o tempo...








o tempo não parou amor...
os teus olhos vêm-me com o olhar de ontem
e tu sabes que mentem...
toca minha pele com a leveza de tua pele,
cada ruga, cada sulco do tempo...
o tempo não parou amor,
são as marcas de dor
que nas noites ao relento
teimaram em ficar,
quando minha voz ficava rouca
de tanto te chamar...
dizes que são mágoas,
talvez labirintos, águas
que algures vão desaguar...

que nasça o dia,
que a primavera seja florida,
e teu sorriso, apenas um beijo na ferida...











bater do coração...





não sei o que vejo em teu olhar
não sei decifrar o teu olhar...
se te pedir ajuda, talvez inventes,
mas sei que não mentes
se entrares no meu olhar....
para quê as palavras,
a monotonia do som,
se em tão leves gestos
sentir o bater de teu coração?










na janela...





a noite chega, devagarinho,
quase sem darmos por ela,
apenas o céu e o infinito,
as estrelas e a lua,
e o pensamento que se perde
no parapeito da janela virada para a rua...
queima-se mais um cigarro,
inventam-se "argolas" no fumo
lançadas no espaço... sem rumo.












renascer...








abro novamente o livro
já há muito fechado pelo tempo...
página a página,
palavra por palavra,
tudo devoro como se próximo
viesse o fim de tudo...
de cores vivas, umas tantas,
outras de cinzento, quase negro,
quais pedras comidas pelo fogo,
assim são as letras que compõem
uma canção sem início, sem fim...
mas eis que aparecem páginas em branco,
tentação para quem não dá a causa como perdida,
antes no tempo adormecida...









leviandades do tempo...







como se fosse pássaro
leve, de asas ao vento,
como se fosse folha seca
desprendida da árvore sem tempo
como se fosse um rio,
partindo alegre à descoberta
da liberdade, o mar sem amarras,
como se fosse um ser humano
livre, de ideias, de pensamento,
assim sou eu, errante pelas ruas já gastas
mas embriagando-me no momento
tão único, tão fugaz, tão sedento...










quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

navegando...










olho o horizonte limitado a quatro paredes,
pintadas sobre um areado imóvel
num branco que já se perdeu...
se eu fosse livre, queria ser rio,
espelho de água que retrata o céu
e que de longe namora quem lhe acena...
pinto a imagem num olhar teu,
um sorriso vivo, cândido, perfeito,
qual vela ao vento
num barco rabelo,
carregando vida, sonhos,
se sonhar foi sempre teu jeito...