domingo, 17 de novembro de 2013

ás vezes




ás vezes queria ser sol de inverno,
quente e tão breve...
ás vezes queria ser nevoeiro,
impenetrável e tão leve...
ás vezes faz-me falta o que já tenho
e nem lembro, ou tudo perdi
numa qualquer jogada,
altas horas da madrugada
em que fazias batota,
e eu nem assisti...



barco á deriva...



meu barco anda á deriva
num rio sem ondas,
sem margens que o acolha...
meu barco parece uma folha
numa rua deserta e sem saída,
e como a folha seca,
vai sendo levado pelo vento,
pelas chuvas de Outono.
triste fim, triste abandono...



sábado, 16 de novembro de 2013

segredos...




na ponta de meus dedos,
nascem as palavras
que o vento leva até ti.
decifra-as e devolve ao vento,
no entardecer,
o vento as sepultará no tempo,
são segredos,
momentos, que ninguém iria entender...




quarta-feira, 13 de novembro de 2013

caminhante...



é noite, como noites são as horas vazias,
perdidas, irremediavelmente tristes
sem o aconchego de um abraço,
de um beijo, de um carinho...

diz-me a aragem fria
que a noite não é boa companhia,
que as almas são tentadas, seduzidas
por outras almas eternamente perdidas...

acendo uma vela, uma luz no caminho,
a noite não me fará mal...sou um pobre peregrino...



domingo, 10 de novembro de 2013

as raízes...






sigo cada raiz da árvore mais frondosa,
até ao ponto em que se afundando
nas profundezas da terra,
busca a seiva, a vida, a gota de água
para o ponto mais alto da árvore...
quão frágil o ser humano
quando liberto das raízes da vida,
perdendo-se pelos cais das ribeiras,
pelas bermas da estrada,
pelas calçadas, onde ninguém vê,
sente, ou tão pouco se vê mágoa...



sábado, 9 de novembro de 2013

na janela...



pelos vidros espelhados de minha janela,
não vejo quem na rua passa
nem as cores de que se veste a vida.
pelos vidros espelhados de minha janela,
vejo reflectida a imagem de mim,
os anos passados,
os sonhos adiados,
e um olhar de esperança sem fim...

pudera eu ver os traços da criança que fui,
da juventude que tenazmente
queria deixar para trás...
da maioridade que traria o céu á terra...
se eu pudesse... se eu pudesse,
teria voado para o céu aos dez anos,
teria brincado ás casinhas no paraíso,
e hoje seria Anjo, eterno, sem juízo...




quarta-feira, 6 de novembro de 2013

voando nos sonhos...




voa nos sonhos,
voa nos pensamentos,
voa na alma do silêncio,
inquieta-te...
satisfaz a curiosidade
de ver a verdade
que parece fugir
por entre os dedos...

sente na carícia da pele,
no calor da palma da mão,
no rubro do olhar,
o rugir da paixão.
afasta teus medos...
não, ninguém vai saber...
são nossos os segredos
gotejando pelo chão...



terça-feira, 5 de novembro de 2013

rosas de jardim...





envio-te as rosas todas que encontrei
nos jardins agora despidos de cor...
oh vil esperança, oh maldição,
se não gostares das rosas que te dei,
não as jogues fora, nem as dês de mão em mão.
em cada rosa que te dei, vai um suspiro de paixão...



sábado, 2 de novembro de 2013

todo o tempo...



repara, parou de chover faz algum tempo...
disseste que soltarias tuas asas,
e viajarias na brisa...
espero-te... faz algum tempo!!

talvez te assustem as nuvens cinzentas,
ou a noite que não tarda vai chegar...
espero-te... tenho tempo!!

alertam-me os sentidos
que talvez te tenhas perdido, ou reencontrado
no meio do nada....
mas eu espero-te... tenho todo o tempo...



sexta-feira, 1 de novembro de 2013

pelo teu sorriso...



é pelo teu sorriso
que lanço pétalas de rosas
sobre a terra fria e remexida,
onde me esperava a solidão
o silêncio e o esventramento...

sossego minha alma,
meus verdes olhos,
minha boca, meu sorriso...
eu sei, ainda não chegou o tempo
que serei banhado pelas águas de Abril.

sim, é pelo teu sorriso
que a vida acontece,
que o norte ganha rumo em cada prece,
e que nas manhãs o céu será sempre azul
e verde o mar que nos acolhe...como no paraíso...



sábado, 26 de outubro de 2013

retrato teu...




neste cantinho só meu,
sem o sol da manhã
nem a brisa do mar,
apenas um retrato teu
na parede, no écran,
janela para a ti chegar...




quarta-feira, 23 de outubro de 2013

cegueira...


meus dedos ficaram cegos,
surdos e mudos...
mas sendo cegos,
aprenderam a sentir
o calor de teu corpo,
a suavidade de teu cabelo,
a maciez de teu rosto.

deixei-me levar
pela cegueira de meus dedos,
e passei a "ver-te" como nunca vi,
a ouvir-te num outro tom,
a sentir teu perfume,
até descobri labirintos
onde sem te ver...te encontrava...



terça-feira, 22 de outubro de 2013

ingénuo





ingénuo o ser que vê nascer o sol
e nem reparou que se deitou a lua...
assim são os amantes, que na rua
passam, quais ser insignificantes
mas que tomam a noite como sua...
oh, corações vazios, tão errantes...