domingo, 26 de outubro de 2014

o horizonte...




"olhando o horizonte..."
como se alguém pudesse descortinar
ou sequer imaginar,
o pensamento de uma criança...
"olhando o horizonte..."
como se a vida fosse do tamanho da visão,
ali, tão perto, quase na palma da mão,
mas infinitamente longe...
"olhando o horizonte..."
e pensar que vale a pena crescer,
com os erros de hoje, aprender,
e sentir que no vazio, sempre haverá uma ponte...


sábado, 25 de outubro de 2014

28 ºC....



quanto desassossego nas horas mortas,
no ar que respiro e me sufoca.
este tempo, já não é o meu tempo
nem das cigarras que deixaram de cantar...

devoro mais um cigarro
que queima tanto como o tempo que faz,
e nem o fumo que um dia ambos sugamos
me liberta a memória de tanto sonhar...

talvez o tempo tenha mudado...
talvez seja eu no tempo parado...

quem sabe, a areia da praia,
o suave beijo do mar
me faça renascer...acordado...


quinta-feira, 23 de outubro de 2014

sinais...


nunca serão em vão
os passos dados,
no areal marcados,
nunca temendo o mar,
olhos nos olhos
como que a segredar,
"eu te amo"...

nunca serão em vão
os sorrisos na manhã,
abafados pelo cobertor de lá,
esperando que se fizesse dia...
as horas jamais existem
nem tão pouco a monotonia
se me dizes, "eu te amo"...



quarta-feira, 22 de outubro de 2014

nas minhas mãos...



abro minhas mãos 
como se uma ave fosse voar,
ou um segredo a revelar...
foram estas mãos,
agora "presas" pela solidão,
antes portal de teu coração,
que elevo aos céus...
queira o vento,
o passar do tempo,
que me traga recados teus...


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

sons de outono...



do rochedo, ouvindo o mar,  fiz minha casa,
sem tecto, sem paredes, 
ou antes, meu tecto é o céu que me cobre,
e a lua, a luz que incendeia meus sonhos...

deitado, estendo minha mão até o mar que me rodeia,
toco ao de leve a água fria
e lentamente, na memória, é tua pele, 
a tua pele que por entre meus dedos fugia...



domingo, 19 de outubro de 2014

monotonias...


de que servem as horas de sol e luz,
da monotonia dos momentos,
do perfeito embalar das ondas do mar??

caminhando contra a ordem dos tempos,
palmilhando os segredos do areal,
talvez partilhe também os meus
como se houvesse sublevação das coisas,
a revolta natural das coisas...

sinto-me perdido neste Outono de Agosto...



sexta-feira, 10 de outubro de 2014

passos perdidos...



o que fizemos ontem,
o que faremos hoje, amanhã,
que importa,
se de tanto correrem a calçada,
sentem-se perdidos os passos,
sem um norte,
sem uma luz na madrugada...

ouve, são as vozes do silêncio
te cobrando,
as mesmas que riam
quando teus olhos em pranto,
clamavam da ira do tempo...

o que fizemos ontem,
o que faremos hoje, amanhã,
que importa...
abre o baú da memória,
do teu pensamento, a porta
aos fantasmas que um dia fizeram história...


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

olhando a lua...



correm as nuvens no céu,
apressadas, negras e temerosas...
entre um e outro espaço, a lua,
cheia, no tamanho e nas interrogações,
e eu, pasmado na rua,
sinto-me tão pequeno,
mas repleto de emoções...



quarta-feira, 1 de outubro de 2014

o sorriso...


viajam pela mente
os acordes de teu sorriso...
parecem duendes
caminhando, dançando
por entre os espaços,
os espaços que todos os tempos
não conseguiram fechar
ou mesmo fazer de conta...


terça-feira, 30 de setembro de 2014

as palavras...



cansados e caminhando para a escuridão,
seguem os olhos letra a letra
cada palavra não dita
mas em gritante escrita
fugida da palma da mão...

lêem e relêem e nada entendem...
as palavras são o que são
e não vale ler, o que elas não dizem...



segunda-feira, 29 de setembro de 2014

outros aromas...



porta entreaberta,
silêncio na noite
e o brilho das estrelas...
pinto a aguarela
de negro e azul
que só os pássaros vão entender.

cansado,
reclino-me num sofá inventado
e tento adormecer...

estrelas, velai por mim,
não vá o mar me levar
e me deixe naufragar,
por entre os aromas de algum jardim...


quinta-feira, 11 de setembro de 2014

grãos de areia...



eram leves, perfumados,
e ondulavam ao sabor da brisa...
sentir cada movimento,
era como um suave massajar
pelas mãos de quem sabe...
os pés, esses seres sem alma,
sem graça, sabem nos levar
pelas areias do destino,
e se esquecem de nos trazer de volta
às pedras soltas do caminho.
um dia vou querer ser mar, ser pé,
ser uma gaivota sem mar,
beijar cada grão de areia,
e nos seus ouvidos sussurrar:
deita-te comigo.. vamos sonhar...



quinta-feira, 4 de setembro de 2014

um pouco de LUZ...



não sei inventar as palavras na tua boca,
nem os abraços, que teus singelos braços
prenderiam o corpo vagueando...

não sei inventar uma noite de lua cheia,
ou dias de sol, e mar de ondas calmas
onde florescesse teu sorriso...

mas sei onde moram as tuas mágoas,
os teus sonhos, e o tempo perdido...
vê... levanta o tapete... deixa entrar vida...