terça-feira, 20 de maio de 2014

na palma da mão...


é nas águas calmas de um rio
que navega o pensamento,
sem barco, sem remos,
apenas flutuando, deslizando
tal a leveza que leva dentro...

não ousem tocar, acordá-lo,
ou numa pequena onda
puxá-lo à margem,
pretende-se demorada a viagem
antes que o mar possa levá-lo...

se chegarem as chuvas de Abril
e se os desenlaces forem mil,
outras águas calmas surgirão,
num rio, num ribeiro, numa concha em minha mão...


segunda-feira, 19 de maio de 2014

minhas mãos nas tuas...


prende minhas mãos nas tuas,
sente, lê cada palavra
escrita pelos meus dedos
como se escrita pelos meus lábios
nos lábios teus...

lentamente, degustando o prazer,
lembra do chocolate,
das amêndoas na Páscoa
ou dos morangos de paixão,
por entre o espumante no verão...

espera, sente o calor de minha pele
tacteando a tua pele,
os dedos novamente escrevendo
todos os passos a seguir...

teus olhos, teus movimentos
pedem mais, erecção dos sentidos
em tantos planos proibidos...
prende minhas mãos entre as tuas,
como se, bem fechadas,
guardássemos eternamente a vida...




sábado, 17 de maio de 2014

utopias...



não foi em vão 
que na noite trilhei caminhos,
atravessei riachos,
e ouvi os sons do coração.

não foi em vão
que subi escarpas,
serras, derrubei muros,
e te estendi a mão.

não, não foi em vão
que despi os medos,
enfrentei oceanos,
e sem armaduras de aço, disse "não".

acredita..eu acredito... não foi em vão
o beijo que ganhamos,
o abraço que o frio selou para sempre,
e hoje sentimos, como singela recordação...

mas sabes, talvez fosse em vão,
se o "amanhã" fizesse parte do refrão...



sexta-feira, 16 de maio de 2014

raízes... de vida!!



parecem iguais os dias de todos os dias
como iguais as histórias  de vida...
mesmo ao lado, as árvores que crescem, crescem
e que nem demos conta... como cresceram
dizemos nós, quando olhamos em retrospectiva...
a nossos pés, as raízes que tudo tomaram,
que se alimentaram
e nós nem sentimos.. e elas ali, rebentando os caminhos...

parecem iguais os dias de todos os dias...
mesmo sentindo nas veias, 
no mais profundo do ser
que as histórias de ontem são páginas viradas,
a cada novo dia, a cada novo respirar
como as raízes que crescem, crescem,
haverá sempre um capítulo a recordar,
ainda que o livro esteja inacabado...


terça-feira, 13 de maio de 2014

o tempo e os loucos...



quão levianos e soltos
os caminhos traçados,
meticulosamente 
na mente gravados,
no sangue... 
na vida....

quão levianos e loucos
os que se perderam,
os que se baralharam
em encruzilhadas
de mil saídas,
que não eram mais que mil entradas...

quão levianos e imprudentes
(e que também foram loucos),
os que se julgaram amantes...oh inocentes,
tudo perdestes...em encruzilhadas que eram d`outros...


segunda-feira, 12 de maio de 2014

meu relógio...



horas tantas, e tanto o silêncio
nas tantas horas que o relógio tem...
compassadamente, gira, gira,
enjoa o espírito de tanto vai e vem...

e neste silêncio, mata a alma,
noite após noite, dia pós dia,
até que um dia, morra o relógio também...


domingo, 11 de maio de 2014

outras árvores...



sinto que nasci árvore de mil folhas,
sendo que cada folha seria uma história de amor...
algumas caíram ao crescer, sem dor,
outras se agigantaram,
e a pouco e pouco, sinto que me vergaram,
por não quererem voar,
ou até, simplesmente planar
na brisa que passava...
(amar, é seguir viagem em qualquer estrada...)

passados tantos anos,
a árvore vai crescendo quase até o céu,
contam-se os ramos,
as folhas ainda verdes, sem danos,
e novos rebentos espreitando a vida...
(amar, é uma longa estrada, quantas vezes proibida..)




sábado, 10 de maio de 2014

minha "casa"...




minha casa não tem portas,
não tem janelas, não tem grades...

minha casa é tal e qual um coreto
onde tocam as bandas de música,
onde se vêm as pessoas, olhos nos olhos,
sem segredos ou qualquer medo...
esta casa, sem janelas, sem grades,
é resistente, tal e qual um rochedo...

mas esta casa (como é possível??),
tem sentimentos... é um coração,
é um vai vem, sempre pulsando,
e vai aguentando
uma após outra, a desilusão,
mas sempre dá a mão, buscando outra mão...



domingo, 4 de maio de 2014

outras pontes...



quanta sede em meus lábios,
nestes olhos queimados e tristes,
pelos teus, que na manhã seduzistes
e entre nós se fez ponte.

num corpo parado olhando o horizonte
qual navio naufragado aguardando abate,
já não choram os olhos (é bom o disfarce),
mas morreram as palavras, os risos, ficou a dor...

enrolando na areia, vem o mar no seu esplendor,
e o que ontem foram dunas, espaços dos amantes,
tudo se perdeu, restam as memórias já sem graça.

fica a sede em meus lábios, no pensamento que passa,
até que chegue o dia, em que tudo será como dantes,
sem resquícios de sede, sem pontes entre nós...



sábado, 3 de maio de 2014

no silêncio...



em vão troco as voltas ao pensamento,
ao diluir das palavras já gastas,
como se as histórias não se perdessem no tempo
e ficassem só os títulos, amarrotados, em velhas pastas...

num ápice, um turbilhão de momentos,
os olhares que liam a alma, os beijos que nos uniam
num só corpo, e que de tanto amor sedentos,
tudo parava, como os anjos previram e queriam

faz tanto vento lá fora nesta manhã de sol e cor,
e tudo aqui é silêncio... veste-se de luto o meu amor...


sexta-feira, 2 de maio de 2014

escrevo para ti...


escrevo para ti, 
com as palavras coloridas que invento...
Sabes, nunca fui bom pintor,
mas as palavras aqui desenhadas
ganham cor,
ou não fossem palavras de amor...

assim, amor
rima com flor,
e o pequeno ciúme
rima com perfume.
saudade...
essa só rima com verdade,
a verdade dos corações sinceros,
sem os espinhos das rosas
mesmo nas mais formosas.

escrevo para ti, 
num dialecto que os olhos entendem,
que os lábios percebem,
e ao escrever-te, meu coração sorri...


teu afago...



sinto teu toque em meu rosto,
teu afago nas manhãs de primavera,
no pôr do sol no verão.
em cada afago, um sopro no coração,
com palavras que só ele entende...

abro a janela para a vida,
preciso te sentir novamente
na brisa que tarda chegar...
talvez tenhas adormecido, ou te sintas perdida...
Amor, ainda é cedo, tenho todo o tempo para amar...

e são estes gestos que se repetem,
gestos que não mentem,
como dois corpos se amando,
se fundindo no acto,
almas gémeas gemendo e vibrando...


quinta-feira, 1 de maio de 2014

céu azul...


passam as nuvens, voam,
deixando ver o céu azul,
e eu só queria ver o céu azul,
o azul dos sonhos,
o azul da infância,
sem nuvens, sem sombras...

nuvens que passais,
sombras, ou almas viajantes,
descansai, que os passos errantes
do caminhante sem destino,
tenha o azul do céu por companhia,
uma luz, um anjo no caminho...

meu anjo da guarda,
minha lembrança de menino,
(sim, sempre lhe rezava em pequenino),
olha por mim... não quero ir na nuvem que passa...