sábado, 27 de novembro de 2021

há um lugar dentro de mim...










há um lugar dentro de mim

onde cabem todas as coisas do mundo,
onde o leviano e o profundo
se tocam, o estado d`alma ou o amor sem fim...

tal como um rio sem pressa,
espelho de água, onde se avista o céu,
no meu olhar de encontro ao olhar teu,
dou-te a mão, um sorriso, uma promessa.

dou-te as coisas que não se vêm,
(para mim, as de maior valor)
que sem veres, ou sentires, teus olhos lêem.

dou-te tudo, e tudo é nada,
se amor é sentimento, chama intensa, ou imensa a dor,
dou-te tudo ao anoitecer, e tudo se perde na madrugada... 


terça-feira, 23 de novembro de 2021

a ilusão e a vida...

 









de tesoura na mão,
pego na roseira
para a poda de ocasião,
mas antes de cortar
pergunto-lhe ao coração,
posso podar?
e ela diz-me que não...

mas eu prometo transplantar
o que me deixares amputar,
e novas rosas brotarão,
flores belas no meu jardim,
posso podar?
e ela diz-me que não...

triste e desapontado,

afasto-me... então a roseira sorri para mim,
e diz-me: abraça-me, bem apertado...
quando quiseres podar,
eu digo que sim!

domingo, 21 de novembro de 2021

LUZ, precisa-se...

 








findou o dia,
serenamente,
e com a escuridão,
acendem-se luzes na rua,
(deambula um rapaz pela noite fria),
na janela, sem companhia,
a idosa esconde-se pelo cortinado
vivendo vidas que não a sua,
assim aliviando a solidão.

na sala, sombras que se formam,
(a luz da rua sempre alumia),
toca a telefonia ao acaso,
apenas para companhia
até as pilhas acabarem, triste fado...

mas onde estão todos,
todos que enchiam a casa de barulho,
de mil coisas espalhadas pelo chão?
todos partiram (fugiram?),
e até o fiel amigo, o cão
encontrado na rua, por certo também fugiu,
do silêncio, da solidão...


quinta-feira, 18 de novembro de 2021

apenas lembranças...

 








caiu a noite,
ficou o silêncio,
as lembranças...

estendo minha mão
no vazio,
buscando o pavio
em teu corpo
em desassossego,
rebolando-se no chão...

as paredes,
são o limite da sofreguidão
para os corpos perdidos
entre a loucura e a paixão.

mãos nas mãos,
bocas sedentas,
ávidas, solta-se o grito,
e as águas, pelos corpos sem chão...

caiu a noite,
ficou o silêncio,
as lembranças...



outro olhar...

 







a rotina esconde a realidade das coisas,
vemos o que queremos ver,
o que os olhos nos deixam ver,
e tudo pode parecer imperfeito...
teu caminhar,
teu falar,
teu vestir a preceito,
tudo, aos meus olhos, era imperfeito... 

mas sabes, agora, longe do olhar,
falo com a emoção 
de não te ver... é a saudade...
o que meus olhos viam 
era a distorção da realidade,
apenas isso, talvez ilusão...
tudo o que parecia imperfeito, 
juntei, amassei, como massa para o pão,
e no final, tudo é perfeito, 
maravilhosamente perfeito, 
aos olhos do coração...

terça-feira, 16 de novembro de 2021

um raio de luz...

 











faz-se silêncio entre as paredes do quarto
e o mundo em suspenso que gira lá fora.
pouco importa se durmo, se morro, se parto
para outra dimensão, se o sonho ainda demora.

porque é no sonho, embalado pelo silêncio cruel,
que ansiosamente aguardo um raio de luz,
um raio por entre a janela, um fio de mel
que me abrace, um amanhecer azul que raiando, se produz...

abro a janela, luz da manhã, fonte de vida,
natureza em movimento, cores outonais, esta estação
que nos amolece sem dó, uma lágrima perdida...

as aves, outrora esvoaçando e cantando,
partiram, sem um até já, um pio no coração,
e só fica o silêncio, frio, nos amordaçando...



quinta-feira, 10 de junho de 2021

tão perfeito...


(retirada da net)

 BOM DIA

tão perfeito este amanhecer,
límpido e sereno num azul celeste,
ausência de sentimento agreste,
luz interior que arde sem se ver .
 
como se uma onda nos tocasse
na areia fina, molhada,
e que nos segue na caminhada,
assim meu ser te abraçasse...



quarta-feira, 9 de junho de 2021

as casas têm paredes...


(imagem da net)

as casas têm paredes,
as divisões têm paredes...
nas paredes, fotografias emolduradas
e outras tantas pelos móveis espalhadas.

enclausurados, os mortos (e os vivos),
entre os vidros, presos por adesivos,
vão resistindo no tempo,
agoniados pelo bolor, mas livres do relento.

tomei uma decisão,
e para não haver dúvidas, escrevi à mão
que não quero caixilho, nem fotografia
no móvel ou na parede vazia...

a alma tem de voar, livre, sem prisão,
asas no vento, destino pré definido na palma da mão...



terça-feira, 8 de junho de 2021

é na manhã...

 







(imagem da net)

é na manhã que, abrindo a janela,
a vida sorri, o sol espreita
cada canto, a cama ainda desfeita
dos lençóis floridos de flanela...

quisera o sol descobrir, perceber
cada ruga no lençol amarrotado,
como se alguém amordaçado
evitasse gritar em momento de prazer.

o sol não sabe das loucuras na noite,
entre lençóis ainda lavados,
dos amantes sem dono que os acoite...

o sol não sabe, que o seu brilho inquieta
os amantes pelas ruelas acossados,
implorando pela noite na rua deserta.


segunda-feira, 7 de junho de 2021

no silêncio...

         (retirada da net)

é no sorriso das palavras
soltas, inquietas, tão breves,

que nasce o silêncio
adormecido no tempo que não passa.

o silêncio que sabe interpretar
o olhar, os lábios entreabertos
que balbuciam indecifráveis palavras.

o silêncio que constrói castelos
de nuvens e de estrelas cintilantes,
e que se deita a cada amanhecer...





quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

botão de flor...

 











tão tristes, de braços caídos,
as japoneiras parecem sofrer
em silêncio, lágrimas em flor
que nos comove os sentidos.

a chuva as rega, dá-lhes vida
mas no botão de flor, a dor, a ferida
por não crescer... a chuva é assim,
uns dias para viver, outros prenuncio do fim...

se eu pudesse, se ágil fosse minha mão,
no amanhecer, ao nascer do dia,
as flores mais belas colheria ,
e dando vida, desenharia teu coração...



terça-feira, 15 de dezembro de 2020

introspecção...

 








o final de tarde carrega todo um tempo
já passado, vivido ou perdido,
passos contidos na brisa do vento,
um olhar, um abraço sem sentido.

toca o telemóvel...talvez alguém
precise de ouvir uma voz, a minha voz,
um conselho, um riso sem desdém,
talvez um sentido para o mundo de nós.

tão difícil este mundo, este ar que respiro,
(mas de que me posso queixar afinal?)
se tudo parece estar ao contrário (suspiro...),
e ajoelho-me...talvez tenha feito muito mal...


Olhar animal...

 








olha-me olhos nos olhos,
como se assim penetrasse
no mais íntimo de meus pensamentos...

olhar meigo, perspicaz, de cão matreiro,
que verá ele que as pessoas não vêm?

os cães devem ter dons
que os humanos pagariam para ter.

enrosca-se, cola-se a mim,
como se assim se sentisse seguro, 
um porto seguro,
com cama e mesa,
e quem sabe, mesada,
ah, e que não falte a sobremesa...