terça-feira, 24 de janeiro de 2023

castelo de areia...

 







e no momento tudo acabou,
tudo ruíu, se desmoronou,
não adianta fingir,
cruzar os dedos, esconder,
a verdade vai sempre surgir
no tempo que tudo quer reviver.

e partes para além do nada,
no silêncio, na tarde ou madrugada?
que importa..., são os momentos
que nunca sonhamos
a acontecer, lamentos
pelo tempo que não gastamos...

pedra por pedra, um castelo construí
na mais alta montanha, sem ti,
apenas eu e o rumor de teus passos
ou o que sobrou de ti, em pedaços...


para lá de tudo...

 

cada novo dia tem este dom,
ser um novo dia, o sol que aquece,
uma brisa que nos toca, e desaparece
por encanto, uma sombra na contra mão...

é neste murmúrio matinal,
numa alma em desassossego,
que renasce o imaterial e a tudo me desapego,
com a consciência de que existe o bem e o mal.

em correria, risos e sacola asseada,
seguem em grupos, a pequenada,
deixá-las ir na sua inocência...

porque lá longe, muito longe, onde a vista não alcança,
os dias serão outros, reina a morte, defunta é a esperança,
e tudo é dor, escuridão, terror e impotência!





domingo, 22 de janeiro de 2023

silêncio...

 










há uma folha branca 
e há um deserto de ideias...
se algo aparecer,
que seja imaculado
e nobre, altar incandescente
onde as preces terão sentido!

há uma folha branca,
e no horizonte, um sorriso,
mão estendida
mas que não alcanço... desculpa
pelo vazio, pelo ar que não respiro,
mesmo sentindo o rumor de teu coração...


terça-feira, 1 de novembro de 2022

a dor da perda…

 






o local não seria propício para conversa...

"já passaram 10 anos que nos deixou..."
"ninguém está preparado..."

ouço, interiorizo, e um calafrio 
percorre meu ser...
e quando acontecer, que montes, que vales, 
que rios acolherão a dor?

que forças interiores se emanciparão
na fragilidade do momento?

tempo, faz do meu ser,
um castelo da terra ao céu...


Um dia como os outros ...

 








há dias que o calendário
teima em recordar...
apressam-se as pessoas,
carregam flores, triste o semblante...
o dia, como qualquer dia, nasceu,
e o sol ainda que envergonhado,
vai brilhando, a tudo indiferente.
por entre "ruas" estreitas,
do sítio onde jazem os que partiram,
a azáfama de embelezar,
"dar vida" ás pedras esculpidas
e para sempre inertes...
dentro de mim, apenas a singela recordação 
e um agradecimento à vida...


segunda-feira, 31 de outubro de 2022

inquietações...

 






do cimo das escadas as ideias renascem
e tudo se questiona, tudo parece imperfeito,
como uma casa terminada, mas com defeito,
afinal está de pernas para o ar...

questiono-me a cada momento
o que fazer, se refazer o que está feito,
ou fazer de conta e nada levar a preceito,
mesmo estando em plano inclinado...



domingo, 30 de outubro de 2022

apenas um raio de sol...

 







num raio de sol, a leveza
de mil imagens que se elevam no pensamento,
os sorrisos que se esbatem na beleza
de um rosto, e que perduram no tempo.

o tempo... espaço temporal que tudo guarda,
arca bíblica dos objectos, das pessoas e dos sentimentos,
inquisidor, ou carrasco sem rosto, sem farda,
indelével, qual brisa leve que se perde nos breves momentos.

como um livro, livro sem folhas, objecto vazio
onde se lê o que quiser, o que inventar,
assim "leio" o meu tempo, como corrente de um rio,

como luz de uma estrela, como vento que passa,
ou como ondas que se libertam deste mar,
e assim o tempo ganha vida, e vivendo, tem sua graça...


sábado, 27 de novembro de 2021

há um lugar dentro de mim...










há um lugar dentro de mim

onde cabem todas as coisas do mundo,
onde o leviano e o profundo
se tocam, o estado d`alma ou o amor sem fim...

tal como um rio sem pressa,
espelho de água, onde se avista o céu,
no meu olhar de encontro ao olhar teu,
dou-te a mão, um sorriso, uma promessa.

dou-te as coisas que não se vêm,
(para mim, as de maior valor)
que sem veres, ou sentires, teus olhos lêem.

dou-te tudo, e tudo é nada,
se amor é sentimento, chama intensa, ou imensa a dor,
dou-te tudo ao anoitecer, e tudo se perde na madrugada... 


terça-feira, 23 de novembro de 2021

a ilusão e a vida...

 









de tesoura na mão,
pego na roseira
para a poda de ocasião,
mas antes de cortar
pergunto-lhe ao coração,
posso podar?
e ela diz-me que não...

mas eu prometo transplantar
o que me deixares amputar,
e novas rosas brotarão,
flores belas no meu jardim,
posso podar?
e ela diz-me que não...

triste e desapontado,

afasto-me... então a roseira sorri para mim,
e diz-me: abraça-me, bem apertado...
quando quiseres podar,
eu digo que sim!

domingo, 21 de novembro de 2021

LUZ, precisa-se...

 








findou o dia,
serenamente,
e com a escuridão,
acendem-se luzes na rua,
(deambula um rapaz pela noite fria),
na janela, sem companhia,
a idosa esconde-se pelo cortinado
vivendo vidas que não a sua,
assim aliviando a solidão.

na sala, sombras que se formam,
(a luz da rua sempre alumia),
toca a telefonia ao acaso,
apenas para companhia
até as pilhas acabarem, triste fado...

mas onde estão todos,
todos que enchiam a casa de barulho,
de mil coisas espalhadas pelo chão?
todos partiram (fugiram?),
e até o fiel amigo, o cão
encontrado na rua, por certo também fugiu,
do silêncio, da solidão...


quinta-feira, 18 de novembro de 2021

apenas lembranças...

 








caiu a noite,
ficou o silêncio,
as lembranças...

estendo minha mão
no vazio,
buscando o pavio
em teu corpo
em desassossego,
rebolando-se no chão...

as paredes,
são o limite da sofreguidão
para os corpos perdidos
entre a loucura e a paixão.

mãos nas mãos,
bocas sedentas,
ávidas, solta-se o grito,
e as águas, pelos corpos sem chão...

caiu a noite,
ficou o silêncio,
as lembranças...



outro olhar...

 







a rotina esconde a realidade das coisas,
vemos o que queremos ver,
o que os olhos nos deixam ver,
e tudo pode parecer imperfeito...
teu caminhar,
teu falar,
teu vestir a preceito,
tudo, aos meus olhos, era imperfeito... 

mas sabes, agora, longe do olhar,
falo com a emoção 
de não te ver... é a saudade...
o que meus olhos viam 
era a distorção da realidade,
apenas isso, talvez ilusão...
tudo o que parecia imperfeito, 
juntei, amassei, como massa para o pão,
e no final, tudo é perfeito, 
maravilhosamente perfeito, 
aos olhos do coração...

terça-feira, 16 de novembro de 2021

um raio de luz...

 











faz-se silêncio entre as paredes do quarto
e o mundo em suspenso que gira lá fora.
pouco importa se durmo, se morro, se parto
para outra dimensão, se o sonho ainda demora.

porque é no sonho, embalado pelo silêncio cruel,
que ansiosamente aguardo um raio de luz,
um raio por entre a janela, um fio de mel
que me abrace, um amanhecer azul que raiando, se produz...

abro a janela, luz da manhã, fonte de vida,
natureza em movimento, cores outonais, esta estação
que nos amolece sem dó, uma lágrima perdida...

as aves, outrora esvoaçando e cantando,
partiram, sem um até já, um pio no coração,
e só fica o silêncio, frio, nos amordaçando...