segunda-feira, 30 de março de 2015

aromas...





dançam os aromas na nossa mente
como imagens que não pedimos,
como lembranças de quem sente...
são tantos os aromas, as cores,
as frases de circunstância,
promessas de eternos amores,
efémeras, como os beijos
secos, fugidos, desculpados,
oh quanta ignorância...



domingo, 15 de março de 2015

manhãs de março...


virgem e ardente, o sol
nas manhãs de Março...

incautos, seguem em passos largos
os amantes, sós,
fingindo olhar o mar
ou com quem se cruzam na manhã.

sorrindo ou olhar distante,
ninguém diz nada,
apenas a respiração é ofegante
como quando alguém faz amor
pouco antes do finalmente.

queria ser como tu, sol,
ardente e promíscuo
em todas as manhãs de Março,
em todos os dias, quando o pensamento
vagueia por águas profundas...



quinta-feira, 12 de março de 2015

brumas na cidade



por entre as brumas da manhã,
em cada raiar do dia,
um olhar ao horizonte,
uma ponte no pensamento...

e são tantas as pontes,
as partidas e chegadas,
sorrisos, lágrimas, que importa,
são resquícios de saudade na madrugada.

abrem-se os braços 
em longos abraços, 
como pontes abraçando as margens,
fortes, eternos, como laços sem nós...

perco-me nas brumas da manhã,
entre o raiar do dia
e as pontes no pensamento...
talvez o horizonte seja ali... ali, no fim do tempo.


quarta-feira, 11 de março de 2015

nunca mais...






nunca mais direi nunca,
nem nunca mais
serão demais as palavras
ditas, ou que ficaram por dizer...

folheio mais uma página,
um capítulo
deste livro na memória,
qual eterna história
ainda inacabada,
de lágrimas vestida,
de luto manchada...




terça-feira, 3 de março de 2015

acordes...

um toque, uma música,
uma voz,
um desassossego,
um sorriso... a medo...

uma imagem precisa,
um rosto 
desenhado a dedo
no vidro embaciado...

augura-se um dia de luz,
amanhã, sempre amanhã,
muita cor, sol,
talvez outro toque,
outra música...

talvez desvendes o segredo
das manhãs a correr,
do toque que não toca,
da música que não se ouve...

quem sabe o sol desenhe no céu
um rosto, um sorriso só meu...



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

eram sonhos...




eram verdes, dourados os sonhos,
as fantasias a cada acordar do dia,
eram ondas de mar, aromas a maresia
em cada final de tarde...

eram verdes, dourados os sonhos,
eram fogo que ardia
como a descoberta do amor
num simples olhar tentador,
num sorriso maior...

eram verdes, dourados os sonhos,
até ao pôr do sol, até ao fim de tudo...



sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

apenas palavras...




de falsas palavras movem-se teus dedos,
como teus lábios quando falas ao vento...
leva-as vento em tuas asas, sem lamento,
para longe, onde a serra árida tudo prende
e devora.. com o passar do tempo...



quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

falando ao tempo...



ouves a chuva cair,
o choro das árvores sem nome?
talvez não ouças,
talvez nem saibas como sentir
o peso de uma gota,
de uma lágrima a fugir...

afasto as cortinas do lado cinzento,
da dor que cobre o tempo...
vá lá, não fiquem assim,
assim me visto,
assim no tempo resisto,
até que o tempo se lembre de mim...


domingo, 8 de fevereiro de 2015

bom domingo...



elevo minhas mãos ao céu,
azul, quase transparente.
apetece entrar nele,
correr, voar, seguir em frente
como andorinhas na primavera.
colher flores algures no paraíso
e voltar, voltar a este inverno,
onde a saudade criou raízes...



terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

o meu mundo...




seres estáticos, aprisionados
a um mundo que não pedimos,
incessantemente invadidos
e ingloriamente ludibriados,
assim somos nós, 
peças únicas e ao mesmo tempo
tão pequenas, quase invisíveis
numa grande engrenagem...

finjo não ser eu ouvindo as notícias,
os horrores da guerra 
e a loucura dos homens...
finjo não viver acordado,
mas antes cobardemente amordaçado
numa voz sem eco, sem destino...

faz-me falta a coragem dos loucos,
mas íntegros no sentimento...
fazem falta tantos, mas são tão poucos
os seres renascidos da profunda terra,
deuses supremos,
imaculados, guerreiros no tempo...



domingo, 1 de fevereiro de 2015

apenas o inverno...



tão longo o inverno, o cinzento
que invade a alma, o olhar...
não me lembro d`um inverno assim.
não me lembro que tenha morrido
a primavera, o verão... e não me lembro de ti.
talvez sejas o inverno que mora em mim...


domingo, 25 de janeiro de 2015

desassossego...



em desassossego,
seguem os ponteiros do relógio
numa contagem até o infinito,
apenas limitado pelo tempo de vida
ou pelo esquecimento no tempo...

ciclicamente, em desassossego
adormece a noite,
acorda o dia,
num compasso até o infinito,
apenas limitado pelo respirar da vida...



no mundo dos afectos...



passamos na rua, indiferentes
ao que nos rodeia, por quem passa...
nada nos diz nada, estamos ausentes,
e nosso rosto é uma imagem sem graça
como estátua de pedra, fria...

lembranças de teu rosto, quando sorria,
de teus abraços, dos beijos com sabor  a maçã,
do nascer e do pôr do sol, das manhãs de maresia

olho novamente o mar, tanto e tanto mar...
e tanto, tanto para navegar...

amanhã, talvez sorria para quem passa... amanhã...
talvez, olhos nos olhos diga... bom dia...