solta-se o sol,
a luz, ainda que a medo
na manhã húmida e fria...
é um sopro de vida,
um piscar de olhos,
que rejuvenesce,
que nos faz seguir em frente...
ainda que breve,
é o mais belo presente...
solta-se o sol,
a luz, ainda que a medo
na manhã húmida e fria...
é um sopro de vida,
um piscar de olhos,
que rejuvenesce,
que nos faz seguir em frente...
ainda que breve,
é o mais belo presente...
o silêncio paira no ar, indelével!
das casas, o fumo pelas chaminés
dizem-nos segredos aos ouvidos,
talvez momentos íntimos, atrevidos,
de quem ainda ousa sonhar.
shiu...não façam barulho!
quem ousaria importunar
os felizes, os audazes,
os anjos do amor, da ousadia,
da saudade por quem já o foi, um dia...
fecho as portas do meu templo,
elevo-me no altar da paz
e fingindo adormecer, contemplo
o interior de mim, tanto por escrever,
e nas veias, ondas de vida a correr...
bailam as árvores em movimento concertado
pelo vento norte ríspido e gelado.
por entre a chuva, rostos perdidos pela estrada fora,
enfrentando a fúria sem demora,
já que não há tempo a perder...
ao virar da esquina, há-de o sol nascer...
sabes, as noites agora
são longas e frias,
desertas, pela demora
da ternura e da ilusão,
do bater forte do coração.
se eu reencontrasse teu sorriso,
a ternura desse sorriso,
anteporta do paraíso,
da quietude e paz
que a memória me traz...
será desilusão, ansiedade?
será saudade?
que diferença faz?
tão belo e inocente o cantar das aves
nas árvores que cresceram comigo,
com cada amor inocente, que me fez perdido
e sem chão, onde o vazio é permanente.
qual a mensagem que não entendi,
qual o canto fatal onde voando, adormecia,
embebido pela sede do amor que inebria
e tudo faz esquecer, ou tudo perder?
tão belo e inocente o cantar das aves,
que felizes, não cuidaram dos incautos
que pulavam e cantavam, quais arautos
da felicidade eterna... triste fantasia.
olha-se ao espelho mais uma vez,
e foram tantas as vezes, que o espelho já esqueceu
das receitas de amor eterno que lhe deu,
e de nada adiantou... a vida é um espelho sem retorno...
finalmente é Natal!
as decorações,
os presépios
(quatro, estou certo?),
e as luzes, ah as luzes,
tudo está no seu lugar...
e foi preciso haver Natal,
nascer, para não morrer
na solidão de cada dia...
piscam as luzes de mil cores,
como se fossem flores
a desabrochar
entre as quatro paredes...
ah, agora sim,
sorrio, para a sombra de mim...