terça-feira, 18 de agosto de 2015

porque brilha o sol....


quanta imensidão entre o céu e o mar,
vazio onde se perdem o pensamento e os sonhos.
bem alto, brilha o sol, clareando as ideias
e a alma, num sossego inventado pela luz ...
deixo-me adormecer qual pássaro na árvore,
atento e ao mesmo tempo quedo, quase irreal,
fingindo nada ver, nem ouvir, nem sentir.
talvez o sol não deixe de brilhar...
e talvez o vazio seja um mundo a descobrir...



quarta-feira, 12 de agosto de 2015

apenas metal...



arduamente limpa o ferro,
rasga-o, mostra-nos a nudez,
quase suas entranhas...
assim age o pintor
perante algo inerte,
sem vida, sem forma de dor...



domingo, 2 de agosto de 2015

até o infinito...


sabe a domingo a manhã serena,
ainda que sem o sol de Agosto...
escrevo teu nome, colorido,
letra por letra, sob um fundo azul.
depois, desenho um barco e uma onda,
e assim navegamos ao infinito...


quarta-feira, 29 de julho de 2015

respirar.. é preciso...



como uma vela acesa num quarto escuro,
chama ziguezagueando entre a vida e a morte,
periclitante, mas com ânsia de chegar longe,
tão longe quanto o pavio deixar,
assim é o ar que respiro, sufocante,
impenetrável nas veias do meu ser.
imagem dilacerada, terrivelmente provocante,
de dias sem dias para viver...






domingo, 5 de julho de 2015

ondas de verão...



belas as manhãs de sol e mar,
de brisa, corpos morenos e ruídos,
ruídos de quem não tem o amanhã,
mas vive, devora cada momento,
como só as crianças, e as ondas no areal...

deixo-me embalar, e parto com os sonhos
na crista de cada onda,
até onde me leve o acordar...
como um barco que parte até se esconder no horizonte,
assim é meu desejo, vontade indelével
de não mais voltar...



quinta-feira, 21 de maio de 2015

oração...


apertamos as mãos como quem pede perdão,
elevamos o rosto ao céu
e balbuciamos palavras que ninguém vai entender...
no peito, a esperança a crescer,
o alívio da dor, uma estrela a brilhar,
um sorriso que só alguns vão ver...
aqueles que um dia nos fizeram sonhar...

e são aquelas palavras 
tão simples, e ao mesmo tempo belas,
de paz, ternura, agradecimento,
de simbolismo, pulsar intenso
num corpo em desmoronamento
que nos fazem acordar, renascer
para um mundo tão despojado de querer...

apertamos as mãos,
elevamos o rosto ao céu,
dizemos "coisas", pedimos "coisas",
e esperamos um sinal,
como uma brisa pairando no ar...só com um véu...


segunda-feira, 18 de maio de 2015

faz vento lá fora...



cada árvore embalada pelo vento
é como uma história, um livro,
folhas inacabadas, 
no dia a dia revisitadas
procurando um fim no tempo...

de nada adianta suplicar:
"vento, pára, tem dó, 
tão frágil o ser, tão carente,
como um ser humano ausente,
perdido, sem porto onde ancorar..."



domingo, 17 de maio de 2015

uma mão cheia de nada...


sabe-me a pouco o tanto que vejo,
e o que vejo nada me diz...
admiro-te tanto, tanto, meu mar,
mas vês, tenho-te aqui, preso na minha mão,
como uma ave que não pode voar.

assim são os desejos, o sentimento,
as emoções, os sonhos idealizados,
enormes quando partilhados,
desprezíveis quando alienados no tempo.

pudera eu ter braços do tamanho do mundo,
poros de minha pele que bebessem a cada segundo
as angústias de quem sofre, de quem não sabe sorrir,
e inventar a magia da esperança que há-de vir....


terça-feira, 12 de maio de 2015

jardins com cor...



plantaram árvores e esperança
naquele planalto de verde e sossego,
e no meio de tudo, a cor, o traje
dos espantalhos que falam...
sentei junto e ouvi as lamúrias pelo seu olhar,
da solidão que não fala, mas se sente,
do frio da noite que lhes humedece o coração...
quem disse que espantalho não sente,
que não chora, que não sabe estender a mão?
deixo-me ficar e adormecer ao relento,
ouvindo passos, vozes que não reconheço...
talvez seja tarde, fértil a imaginação,
e talvez não sejam passos, nem vozes, mas uivos do vento,
recados do norte, angústia e lágrimas de arrependimento...


sábado, 9 de maio de 2015

"viagens..."



nasceram as palavras, os afectos,
nasceram histórias, sonhos,
renasceu a quimera da vida...
toco levemente cada sílaba em teus lábios,
cada palavra dita e redita pelo teu olhar,
toco teu coração, tua alma perdida...

são gestos, apenas gestos
numa imaginação fértil,
num pensamento doentio e pela loucura ausente.
como se fosse um baú de recordações,
rasgo o sentido de cada frase dita,
suas entranhas, o amor ainda presente...

nasceram as palavras, os afectos,
nasceram em masmorras de dor,
em redomas de vidro que as sufocaram,
que as secaram quais mártires por uma causa maior...



segunda-feira, 30 de março de 2015

aromas...





dançam os aromas na nossa mente
como imagens que não pedimos,
como lembranças de quem sente...
são tantos os aromas, as cores,
as frases de circunstância,
promessas de eternos amores,
efémeras, como os beijos
secos, fugidos, desculpados,
oh quanta ignorância...



domingo, 15 de março de 2015

manhãs de março...


virgem e ardente, o sol
nas manhãs de Março...

incautos, seguem em passos largos
os amantes, sós,
fingindo olhar o mar
ou com quem se cruzam na manhã.

sorrindo ou olhar distante,
ninguém diz nada,
apenas a respiração é ofegante
como quando alguém faz amor
pouco antes do finalmente.

queria ser como tu, sol,
ardente e promíscuo
em todas as manhãs de Março,
em todos os dias, quando o pensamento
vagueia por águas profundas...



quinta-feira, 12 de março de 2015

brumas na cidade



por entre as brumas da manhã,
em cada raiar do dia,
um olhar ao horizonte,
uma ponte no pensamento...

e são tantas as pontes,
as partidas e chegadas,
sorrisos, lágrimas, que importa,
são resquícios de saudade na madrugada.

abrem-se os braços 
em longos abraços, 
como pontes abraçando as margens,
fortes, eternos, como laços sem nós...

perco-me nas brumas da manhã,
entre o raiar do dia
e as pontes no pensamento...
talvez o horizonte seja ali... ali, no fim do tempo.