quarta-feira, 8 de maio de 2013

nas ondas....




Não sei que tempo é este
onde moro, onde se ouvem
os rumores de meus passos...

sinto-te bem perto mar,
e faz-me falta teu enlaço,
tuas águas, onde navegasse a caravela 
das tormentas e do cansaço...

destinos...


se eu pudesse,
plantava mil árvores,
mil flores,
semeava um ribeiro de mansas águas,
e assim
nasceria um lindo jardim,
onde se afogassem as mágoas...

segunda-feira, 6 de maio de 2013

talvez não...


talvez não devesse partilhar
ou confessar o que sinto, mãe,
mas sei que me vais ouvir,
e fazeres questão de tua mão eu sentir
como se me quisesses proteger...
eu sei que me vais compreender, mãe,
e sei também que após a lágrima
que teima em cair,
com teu jeito de ser, vais sorrir...

tu sabes, e por certo já leste meu coração,
leste a tristeza em meu rosto
quando a saudade está de feição,
quando os dias não correm,
quando as horas parece que morrem...

e enquanto me é permitido,
deixa-me beijar-te, mãe,
deixa-me guardar esse olhar querido
qual moldura sem parede,
ou de outro local qualquer.

Esse teu rosto, que já teve beleza,
encanto e sorrisos de esperança,
continua lindo,
mas agora com sonhos de criança...
por isso, deixa-me também sonhar, mãe...



quarta-feira, 1 de maio de 2013

páginas....

 
 parece que fogem as palavras
de minha boca,
de meu olhar...

lembras dos dias que eu era um livro,
páginas que lias de cor,
ou de meu corpo que dizias ser um rio,
em que tu eras navio,
navegando ao sabor
das emoções,
das paixões,
sem amarras, sem porto final...?

Esses dias ficaram no papel,
em palavras desenhadas e coloridas,
aguardando o amanhecer...

sábado, 27 de abril de 2013

divagando...



esvoaçavam as andorinhas
no vento forte e frio da manhã...
é um dia na primavera,
um dia no verão da vida,
um fim de tarde quase a anoitecer...

segunda-feira, 22 de abril de 2013

estrelas no céu....



Quis fechar as janelas,
e aí, deixava de ver as estrelas...
quanta loucura...
despi-me, deitei-me na noite escura
sobre a relva fria que nem senti,
e adormeci,
ao fazer amor com elas...




domingo, 21 de abril de 2013

fim do dia...



só agora vi, chegou tão rápido o fim do dia,
e minhas mãos nada têm,
nem o cheiro de teu perfume,
nem o aroma da água salgada,
e meu corpo continua frio, esperando o lume.

talvez os dias de domingo sejam assim,
isentos e pesarosos,
de manhãs longas e tardes a correr,
espaço para os amantes e o pôr do sol,
onde nos labirintos encontram o prazer.

aconchego meu corpo por entre o nada,
e a parede nua é testemunha
do silêncio a medo que aqui faz...
talvez sejam resquícios do inverno que passou,
talvez lembranças de outras manhãs...

sábado, 20 de abril de 2013

tons de abril....



os fins de tarde trazem a nostalgia,
os tons laranja, ou amarelo ocre,
pelo sol que segue para outras paragens...
gravado no olhar, no pensamento,
o azul do céu na manhã,
e o verde do mar imenso e calmo...
e é com estes tons que fecho os olhos
e aguardo um novo amanhecer...

quinta-feira, 18 de abril de 2013

à descoberta...



nasce o dia neste jardim,
ainda o orvalho não acordou...
cada botão de rosa,
cada flor a desabrochar,
faz-nos parar, fechar os olhos,
é um segredo a revelar...

como um sorriso,
como um olhar penetrante,
será sempre belo e preciso
a descoberta... talvez até fascinante...


quarta-feira, 17 de abril de 2013

o tempo...



abrem-se as janelas do tempo,
que já passou, que vai passar...
espreito sem entrar, e nada vejo.
que importa o passado, o futuro,
se é o presente que me faz sonhar...




terça-feira, 16 de abril de 2013

Dia de primavera...



inventam-se as tardes,
os dias, as manhãs de primavera,
inventa-se o sol,
inventam-se sorrisos e alaridos,
um relvado, uma toalha à tua espera...
e assim amor, de uma quimera
chegamos ao paraíso,
onde não há nuvens, nem dias cinzentos,
apenas sonhos e muitos passatempos...



segunda-feira, 8 de abril de 2013

os pássaros...


eram dois pássaros negros,
negros como os xailes das mulheres viúvas...

sobre os cabos que atravessam a rua,
eles se tocavam, se catavam,
penso até que se beijavam.

cantarolei, assobiei,
mas não me ligaram.
peguei máquina fotográfica,
disparei,
e eles não se incomodaram.

assim se passou o dia,
passaram-se outros dias, outras noites,
e os pássaros como por magia
ali ficavam, como se não houvera fome,
sede, ou coisa alguma...

os pássaros que ali estavam,
não eram aves, nem sombras do além,
mas tão só reflexos de nós,
almas gémeas em sintonia,
pedaços de nós viajando no espaço,
matéria viva do encanto eterno...

domingo, 7 de abril de 2013

imaginário...




seria tão fácil
te levar ao mundo dos sonhos...
seria tão difícil
me perdoar, se te decepcionasse...