domingo, 19 de abril de 2020

LUZ, raio de LUZ...


acordo pela manhã (tão cedo),
ainda os raios de sol por chegar,
e no peito, este aperto, esta vontade
de erguer as mãos, orar
a quem não vejo, mas que me guiará na cidade.

no escuro de quatro paredes,
na Luz que me invade e me ilumina,
a paz, o sossego da alma,
este querer mais que querer que me anima
e me faz correr, fluxo de Vida que me acalma...

medo de morrer? como, se vivo para além de viver,
para além da morte que um dia virá,
mas até esse dia (talvez uma noite fria)
admiro o céu, a estrela que um dia me guiará
até o paraíso, planalto de vida e magia, de alegria...



num abraço...



no silêncio dos olhares,
no toque mais precioso,
subtil, pele com pele,
o renascer harmonioso
de toda a leveza do ser...

e afinal, bastou um abraço,
encontro em forma de laço,
e no olhar, uma intensa fusão
com o palpitar do coração...

sábado, 18 de abril de 2020

da minha varanda...



no refúgio da minha varanda
nascem os sonhos, os pensamentos,
os aromas da primavera,
a vida no chilrear das aves,
e eu finjo não ouvir ou sentir
não vá o mundo me trair...

assim, tão simples, tão normal,
viver a vida, apenas viver,
ver, como se não houvesse olhar,
caminhar, no vazio, no mesmo lugar,
falar, sem nada dizer,
ouvir, abrindo o coração...

e assim, em forma de melodia,
nascem notas de uma canção,
sem acordes, apenas a alegria
do respirar, sentir a emoção…


quinta-feira, 16 de abril de 2020

anoiteceu...



anoiteceu meu amor,
e sempre que anoitece,
elevo as mãos numa prece
para que estejas bem...

lembro que receavas o escuro,
as noites sem luar,
e o quarto aberto
com a porta por fechar...

eu era teu porto de abrigo,
o aconchego em meus braços
que presos a ti como abraços,
te davam o céu, a quietude do paraíso...

livres como aves no vento,
eram nossos os mares, as planícies,
os sonhos, as quimeras... as diferenças,
que vão corroendo o sentimento...

na desilusão do momento,
deixamo-nos levar na brisa que passa,
destinos perdidos no tempo
até que o tempo do tempo se desfaça…


mas já não tenho notícias tuas
e até as lembranças
(que antes partilhavam meu leito),
vão rareando...por onde andas?


quarta-feira, 15 de abril de 2020

divagando...



rasga-se o céu entre o azul
e o cinzento da nuvem que passa...
sorrindo, brotam os raios de sol,
ou tão tristes, caem pingos de chuva
nesta tarde primaveril.
apetece sair, tocar, sentir,
despertar os sentidos,
não vá o mundo ruir...
quem disse que amanhã também é dia,
ou que após um dia, virá outro dia?
quem planeou o quê e feliz se deitou
porque os astros se uniram, Deus deixou,
e o mundo não girava ao contrário?
insignificantes, somos moldados, levitados
como marionetas coloridas,
mãos atadas ou braços cruzados,
ansiando pelo pôr do sol das férias prometidas…


confinamento...





este é o tempo
do confinamento,
(palavra estranha,
que se entranha)...
é um deserto de ideias
onde me perco,
e onde tu vagueias,
ladeando-me, fazendo cerco...
sim, tu luz opaca,
cobarde e sem sentido,
indiferente ao desespero que mata,
ao destino... agora proibido...

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

para lá das estrelas...


chegou a noite,
sem encanto,
com meu manto
onde eu pernoite.

ninguém perguntou,
(ninguém quer saber)
se estou vivo, se vou morrer,
quão mal estou.

mas a noite sabia
das fraquezas de mim,
dos sonhos sem fim
que nas estrelas escrevia...

afasta-te, deixa-me só
neste manto a levitar,
neste imenso mar,
talvez a lua de mim tenha dó...

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

outras palavras...



teces as palavras ainda nuas
no tear que seguras em tua mão,
indiferente ao povo que nas ruas
segue sem tino, sem direcção.

quem sabe um livro escreverias
das amarguras que a vida te deu,
folhas em branco, onde não te atreverias
a decifrar o que o mundo te escondeu...

tão tola a inocência ainda por perder
num mundo sem janelas, sem muros,
onde o desejo é maior que o querer.

admiro-te e ao mesmo tempo invejo
tua ausência, neste mundo onde só os duros
se abatem entre si, sem um abraço, sem um beijo...


quarta-feira, 30 de outubro de 2019

ansiedade...




de onde vem esta ansiedade
que pesa sobre os ombros,
tempo sem luz, sem claridade,

momentos únicos de nostalgia
que tento acalmar pela leitura
dos pingos de chuva e da aragem fria...

fecho os olhos, e são os sentidos
que em alerta, me protegem
dos rumores e dos medos na mente perdidos.

Talvez as nuvens se dissipem,
talvez em meus olhos brilhe o sol,
talvez chegue a noite e os sonhos se agitem...


sábado, 26 de outubro de 2019

Tua voz...



ouço Tua voz
na sonoridade das palavras,
no eco do Templo sagrado,
nas vozes que se levantam.

sim, ouço Tua voz,
mas... perdoa-me!!
são tantas outras vozes
que teimam em gritar,
agitar o mais puro de mim.

o que fazer, se as forças fogem,
ou se amedrontam, e eu fico tão só...

só, e todos os ecos que me atormentam...
questiono meu ser,
questiono meu querer,
mas nada nem ninguém me responde.

ah, estes ecos que se agigantam...