quarta-feira, 11 de setembro de 2019
em desassossego...
é já longa a caminhada,
passos repetidos
na íngreme calçada,
que levam à erosão dos sentidos...
e quanto mais caminho,
mais me definho
numa esperança que se desvanece
a cada segundo, ainda que numa prece,
numa oração,
peça perdão
pelo desacreditar no ontem,
no hoje e no amanhã.
tão fresca a brisa na manhã,
tão ofegante no sol do meio dia
nesta tão longa caminhada,
vazia de tudo... cheia de nada...
outono
nunca será em vão
que te procuro,
e no vazio mais escuro,
ou no clarear por entre os dedos da mão,
renasces Outono
a cada ano,
a cada fiel estação...
é ver-te assim de mil cores,
de folhas caídas pelo chão,
de lágrimas (poucas),
de apertos no coração,
que renasce a esperança
em cada rebento colorido,
em cada vaso de barro ou de latão
em forma de orquídea,
haste firme, porte sofrido,
nas noites frias, a cada novo dia...
fingimento...
amanhã é o primeiro dia
de todos os que vou fingir não te olhar...
mesmo pegando tua mão
que ao leve toque me arrepia,
mesmo sentindo tua voz
que no silêncio da alma fala, sussurra,
eu não paro de te escutar...
mesmo sabendo-te despida de vida, fria,
amanhã é o primeiro dia,
de todos os que vou fingir não te olhar...
rio de ilusão...
rasguei um rio por entre as pedras duras
onde só havia água e sede...
tu eras a água, livre, solta e tão límpida...
eu, a sede, faminta,
tão perto de ti,
tão longe do que o corpo pede...
desenhar-te...
é noite para quem parte,
e leva no olhar a incerteza
da escuridão...
vais comigo, e cada traço de teu rosto,
cada pedaço de ti,
está gravado em minha mão...
como seria fácil te descrever num papel,
na areia límpida da praia...
não, o segredo é só meu, só meu,
e só meu olhar, o brilho desse olhar,
um dia vai segredar no teu...
tardes de outono...
meu amor, meu amor,
tão leve e suave o chamamento,
como o sol que nos beija nesta tarde de outono...
ter-te aqui, ler-te aqui,
é como respirar o ar puro da planície,
que envolve a alma,
sem ruídos, sem movimento,
apenas nós,
nesta tarde tão seca,... tão calma...
foi tão pouco...

hoje sei que não te dei tudo,
e tudo o que tinha era tão pouco...
levava-te as palavras e os sonhos,
e tu acreditavas,
e ao contar-te, também eu acreditava
como acreditava que não havia noite,
mas madrugadas sem fim.
também acreditava quando me dizias
que o fim da rua era o paraíso,
e não apenas o virar da esquina...
acreditava-mos num mundo só nosso...
sabes, hoje sei no que acredito,
nos olhares que por mim passam e nada me dizem,
nas pedras da calçada
onde tropeço a cada instante,
nas longas noites entre quatro paredes...
e por acreditar, já não há sonhos, nem palavras...
vida...
a vida abre-se num grito a cada manhã
e corre por entre ruas, e muros e no pensamento...
tão frágil, tão doce, tão inquietante,
mas ao mesmo tempo
se agiganta, como só os deuses do antigamente...
a vida é uma arma, uma vez escondida, esquecida,
ou talvez de leve adormecida,
até o dia em que acordes do vento
lhe tragam novas da liberdade,
da insurreição, e da voz que ganhou corpo,
se emancipou, cortou amarras...
a vida abre-se num grito a cada manhã,
vai sussurrando palavras para quem quiser ouvir,
afiar as garras se a tempestade surgir...
e corre por entre ruas, e muros e no pensamento...
tão frágil, tão doce, tão inquietante,
mas ao mesmo tempo
se agiganta, como só os deuses do antigamente...
a vida é uma arma, uma vez escondida, esquecida,
ou talvez de leve adormecida,
até o dia em que acordes do vento
lhe tragam novas da liberdade,
da insurreição, e da voz que ganhou corpo,
se emancipou, cortou amarras...
a vida abre-se num grito a cada manhã,
vai sussurrando palavras para quem quiser ouvir,
afiar as garras se a tempestade surgir...
SOL de inverno...
são tão tristes as tardes de inverno,
cinzentas pela chuva,
pela melancolia da alma...
por isso, inventei o "SOL", ainda que de brincar,
de formato redondo, espelho ao centro
e muitos raios ao seu redor...
dependuravas na porta, onde pudesses chegar
e te olhar,
porque também eras SOL no seu esplendor,
e sempre que o vento chegava,
o "SOL" rodopiava,
e tu sorrias...
quanto mais sorrias, mais brilhavas,
fazendo esquecer as tardes frias
e as histórias que inventavas...
histórias...
são tantas as histórias
que te contei um dia,
como se fosses tu a memória
de um passado
sem presente sem futuro...
e de tanto te contar
acho até que as esqueci,
ou tudo misturo,
numa cabeça de si perdida
ou por reencontrar...
sábado, 16 de setembro de 2017
no jardim..

o azul do céu e o verde do jardim é o mundo que me rodeia,
apenas invadido pelo silêncio que quase me adormece,
ah e o sol, que faz questão de bronzear, que aquece
a alma, que completa a moldura de tons e de vida...
tão fácil e tão simples ter um mundo assim...
tão perfeito o equilíbrio, imagem tão real de mim..
segunda-feira, 24 de julho de 2017
só mais uma vez...

fito teu olhar em cada tema
que desenvolves,
e resolves...
como se fosses o centro do mundo,
a base do pilar mais fundo...
talvez por isso, esse ar "tão seguro"...
admiro-te e não o escondo!
cairia "redondo"
se ousasse mentir,
ou de rubro minhas faces se vestiriam,
qual "teenager" ao esconder seu "sentir"...
Fito teu olhar... mais uma vez,
e mais outra, e mais outra...
até onde sei contar... até dez!!
domingo, 23 de julho de 2017
para além de nós...
quando voltará o tempo
em que o tempo voava,
fugia por entre os dedos,
enquanto o nosso tempo
(sim, cada um tem seu tempo)
entre palavras se esfumava,
e num beijo se erguia contra os medos...?
abro mão de tudo (e tudo era tão pouco),
se o tempo voltar atrás,
ainda que o olhar do mundo me chame louco,
irresponsável, sem palavra, ou de palavras vás...
abro mão de tudo (e tudo era quase nada),
se no silêncio da noite conseguir tocar teu nome,
soletrar cada letra, inventar-te na madrugada,
respirar-te, e nos braços do tempo, adormecer lado a lado...
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