quarta-feira, 11 de setembro de 2019
"à flor da pele"
é através da vidraça que nasce teu sorriso,
tão leve e tão preciso,
como se destinado só para alguém...
prefiro entrar, mãos nas mãos
num cumprimento que vai mais além...
sente-se, quase carnal o momento!!
talvez as veias se fundissem,
se a pele não teimasse em resistir...
talvez amanhã seja o fim
de um sonho lindo, que de tão lindo,
continua adormecido,
eternamente adormecido...
"os teus caracois"...
não sei falar dos caracóis nos teus cabelos,
que não vi nascer
nem ousei um dia contar...
cada fio que morrer
na tua escova ao pentear,
terá uma história
do dia que esvoaçando ao vento,
era liso, corria por entre os dedos,
tão fácil, sem segredos
de memórias perdidas no tempo...
confesso...ao ver-te assim,
sorrio, e escondo meus medos...
sem história...
há dias que não são dias,
mas tão só deixar correr o tempo,
sem horas, sem pressa...
ontem... ontem foi o momento,
o delírio, uma promessa
que se esfumou,
um sorriso gravado, ou um esboço,
e o amanhã... amanhã não existe,
talvez apenas no sonho de uma criança.
faz-se tarde, noite, retrospectiva sem história,
há dias assim, que não são dias,
não são tema que ocupe nossa memória...
palavras vivas...
hoje escrevo para ti,
e para ti, e para ti...
como se esta necessidade
de comunicar contigo,
fosse o ar que preciso
para viver...
e não morrer
no vazio do silêncio,
ou na ausência de palavras...
mas o que são as palavras escritas
se a alma precisa sentir
o bater do coração?
olhos nos olhos, fluem
todas as emoções à flor da pele,
todos os desejos reprimidos
que um dia subiram
ao altar da paixão...
oh eterna insatisfação...
afago teus cabelos...
afago teus cabelos, ainda molhados,
com o toque carente de meus dedos,
fio por fio,
libertando aromas, talvez a maçã...
na pele, um leve arrepio
que se confunde com o fresco da manhã...
prendes no teu, meu olhar
numa irrecusável tentação,
como dizer não,
se todo o corpo é já um palpitar,
como dizer não?
como dizer não
à investida de teu corpo,
ao sussurrar de uma voz quente
no silêncio dos espaços?
tão fortes os abraços
quando o pensamento já ausente,
se rende aos fluidos
e nos unem num só...
como dizer não
se a loucura é um desejo presente,
como dizer não?
olhos nos olhos, o mundo não existe,
só a paixão teima, persiste
num novo ritmo, oh irrecusável tentação...
no tempo...
no tempo que já não volta,
eu sabia ler as estrelas
(acho até que falava com elas),
sabia sonhar...
cada morro lá ao longe
era uma aventura, um desafio,
era como nadar num rio
mesmo não sabendo nadar...
hoje já não sei ler as estrelas
e o seu brilho ofusca meu olhar
(talvez não goste da cor de meus olhos),
e sonhar...faz tempo... já esqueci de sonhar...
reparo agora..! fez-se noite tão cedo,
e esta escuridão, é o manto que nos cobre,
que nos aprisiona no medo,
no medo de ficarmos sós,
tão sós como as estrelas no céu,
que nos faz pequeninos, mil pedaços de nós...
tão breve...
tão breve a carta de despedida,
apenas um adeus
e uma gota, da ferida
em tua alma...
perdoa-me,
como quem perdoa
por uma palavra maldita
ou uma traição à toa...
na lembrança,
os momentos inesquecíveis
que julgávamos imperdíveis
no tempo que afinal acabou.
meu corpo já não te pede água,
nem a loucura que vibrava nas veias,
e teus olhos quando tocam os meus
já sem brilho, carregam a mágoa,
e eu, já nada tenho para te dar.
sabes, mente quem diz que o amor
é eterno, que tudo perdoou,
ainda que alma sangre de dor...
faz-me falta..

faz-me falta teu abraço,
essa ilusão tão forte
de teu corpo junto ao meu...
deixo-me divagar
pelo teu olhar,
pelo convite rasgado
por entre um sorriso,
como se nada mais fosse preciso
para um abraço amigo...
minhas mãos em teu rosto
teu corpo junto ao meu,
sinto o coração bater
em teu peito,
tua respiração ceder
a um beijo,
roubado,
num abraço perfeito...
breves momentos...
são tão breves os doce momentos,
que na ligeireza dos tempos
nem sentimos passar,
como correr no areal, saltar
as dunas, ver o mundo correr,
olhar o mar, o imenso mar...
embarcar dentro de um barco à vela,
casca de nós contra o vento,
sem medos de qualquer tormento,
e navegar, navegar...
solta-se a imaginação,
vislumbra-se no olhar
um desejo na palma da mão.
já não há tempo para olhar o passado,
e pede-se bonança para a viagem
que o mar não tem fim, não tem a outra margem...
no silêncio...
estão caladas as árvores
e a relva e todo o mundo em redor.
não adianta fazer de conta,
nem esperar que o pássaro cante na gaiola.
este silêncio, é o meu mundo
onde o silêncio é dono e senhor...
sabes, talvez seja sinal dos tempos,
deste inverno cinzento que pesa
e nos arrasta pelas ruas,
ou da voz que se perdeu,
que se acanha nos momentos,
ou apenas seja um sinal,
sinal de que tudo o vento levou
por entre a abertura dos dedos...
imploro por ti, primavera,
pelo céu azul e brisa fresca no rosto,
pelos cheiros, pelos verdes prados,
pela ilusão de uma nova era,
por um beijo ardente (uma quimera),
até lá, talvez hiberne...
sabes, não adianta fazer de conta...
flores de mil cores...
as flores de inverno
também são belas,
e coloridas,
não têm os aromas da primavera
nem as abelhas,
nem as borboletas,
mas têm vida,
o encanto que perdura no tempo.
ofereço-te uma flor
cortada ao relento
para que a guardes junto a ti,
no teu regaço,
até a nova estação.
talvez te traga novas flores,
de mil cores,
perfumadas,
ou talvez não...
até lá, vou com o vento...
ler-te....
já não adianta ler o passado,
o que escrevemos
ou os olhos disseram,
em cada onda perdida no areal...
era o tempo em que os dedos falavam,
e os lábios liam teu coração
por entre os contornos de teu corpo,
por entre as investidas da mão...
onda após onda,
aromas inebriando os sentidos,
o céu era sempre azul
e até a chuva de Agosto,
eram raios de sol
protegendo os amantes desprevenidos...
sabes, para quê ler o passado,
se há muito nos livramos desse fado,
em folhas de livros proibidos?
SOL de inverno
são tão tristes as tardes de inverno,
cinzentas pela chuva,
pela melancolia da alma...
por isso, inventei o "SOL", ainda que de brincar,
de formato redondo, espelho ao centro
e muitos raios ao seu redor...
dependuravas na porta, onde pudesses chegar
e te olhar,
porque também eras SOL no seu esplendor,
e sempre que o vento chegava,
o "SOL" rodopiava,
e tu sorrias...
quanto mais sorrias, mais brilhavas,
fazendo esquecer as tardes frias
e as histórias que inventavas...
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