domingo, 20 de julho de 2014

ilusões....



vinham de longe as gaivotas
e traziam os sonhos, as quimeras,
como os barcos que um dia partiram
e chegaram com noticias de outro mundo...
não sei se quero ler os sonhos
ou entrar no mundo das ilusões...
é tanto o mar, tanto horizonte a desbravar...


quinta-feira, 17 de julho de 2014

breves momentos....




abri meus braços, meus abraços
ao corpo teu que rodopiava, ganhava vida
ao som de uma música que eu não entendia...
a música que eu te oferecia,
saía do silêncio das palavras,
do pulsar das veias na madrugada...
deixa-te levar, embalar
pela melodia dos sentidos.
são tão breves os momentos permitidos,
como se não houvera amanhã,
sonhos, avenidas de mil flores,
como se não houvera jamais
paraísos para todos os amores....



quarta-feira, 16 de julho de 2014

elos que se partem...




tão frágeis os elos das correntes
que o tempo e o mar corroeram...
agora, livres das amarras,
voam os fantasmas pela cidade,
deserta, sem vivalma,
sem os gestos dos amantes...

triste a cidade, os objectos,
e os candeeiros da rua,
outrora almas cintilantes
mas que morreram de pé,
tal e qual estátuas, insignificantes...



domingo, 13 de julho de 2014

Bom Domingo...


lindo o sol da manhã,
como os dias que são nossos,
sem horas, sem passado, sem futuro.
mãos nas mãos, a estrada é a nossa vida,
sem portagem, sem muro,
sem mágoa por alguém, sem ferida...

tua cabeça em meu ombro,
a paz que leio em teu olhar,
os dias de luz e cor que ousas viver,
e apertando minha mão nas tuas,
sentes que tua vida é um balão de ar
voando sobre as nuvens dos sonhos...



sábado, 12 de julho de 2014

um beijo na manhã...



vieram os pássaros, de longe,
nas asas, o perfume das manhãs de neblina,
no bico, as frases que fazem sonhar...
um a um pousaram em meu ombro
e deixaram recados no coração,
melodiosos, com seu cantar...

se eu fosse pássaro, se eu soubesse voar,
a cada levantar da neblina, um beijo, no teu olhar...



domingo, 6 de julho de 2014

sons do silêncio....



falas para mim na neblina do amanhecer,
na chuva que cai na manhã de verão,
falas para mim, mas eu não vou ouvir,
tudo se vai apagar apenas com um raio de sol.

queria te ouvir, como ouço o silêncio
e todas as palavras que invento,
queria te ouvir como a brisa que passa,
ou o singelo voar da libelinha...

fecho o livro das imagens e das palavras,
dos sonhos (ai os sonhos..) e dos sorrisos,
das lembranças e da esperança
que do pensamento sumiu, e jamais alcança....


sábado, 5 de julho de 2014

desassossego...



tão tristes as flores,
os sons da tarde, 
tristes as brincadeiras de criança
e o bater do coração...

de cinzento se veste o céu,
e chora, chora no meu ombro
pelo sol que se escondeu...





quarta-feira, 2 de julho de 2014

lágrimas...



corre um fio de água no meu olhar,
frio, transparente, quase cruel...
impossível conter, parar,
como se meu mundo fosse um mar,
onde desaguam os sonhos,
e os pesadelos... e os desassossegos...


segunda-feira, 30 de junho de 2014

cenários...



de uma frase, 
de uma imagem,
textos, linguagem
que fazem rir...

frase por frase
constrói-se o cenário,
num imaginário
perfeito,
como perfeito
é o sentir
de palavra após palavra,
já da máquina desligada,
continuar a sorrir...


nos braços da manhã...



deito-me com os sonhos,
acordo nos braços da manhã...

os raios do sol afagam meu rosto
e sinto seu hálito num terno beijo...
faz tempo, tanto tempo
que não sinto o calor de um beijo,
a maciez, a frescura de um lábio
percorrendo, tacteando
um corpo sedento...

faz tempo... tanto tempo...



domingo, 29 de junho de 2014

navegando...



de quantos paus se faz uma jangada,
uma bóia de salvação?
de quantos paus é feito um sonho,
e quantos os nós para a libertação??

um a um vou desfazendo,
mas eles renascem na palma da mão...

de quantos paus é feito um sonho,
e quantos os nós para a libertação??



sábado, 28 de junho de 2014

tu....



saboreio teu corpo na imensidão do desejo,
imagino-o, e ao fazê-lo, em mil retalhos
o recorto... em cada recorte, um beijo...




quarta-feira, 25 de junho de 2014

momentos...



e tudo é tão frágil, inconsequente...
que perdure o momento,
que seja alegre o tempo
como se um raio de sol
pela vidraça entrasse...
não somos donos de nada
e ao mesmo tempo, donos de tudo,
nos sonhos da madrugada...