terça-feira, 3 de junho de 2014

jogo da verdade...



em tanta verdade, que era tanta mentira,
em toda a mentira, tudo era verdade...
num jogo de ataques e pedra partida,
na dicotomia da sinceridade,
desassossegam os espíritos...oh cruel ferida...


segunda-feira, 2 de junho de 2014

recados...



batem de leve no coração...
será gente,
a brisa, o pensamento,
ou tão só minha imaginação
que não esquece,
retalhos de vida no tempo?

não ouso abrir...
estranha a forma de bater,
sem ruído
como se fosse apenas o sussurrar
do muito querer,
não fosse alguém entender...

batem de leve no coração...
piano, violino, um filme,
uma música, tanta recordação
que bate, bate em emoção...


domingo, 1 de junho de 2014

em teu ventre, manhã...


horas tardias para quem, na madrugada
se perdeu, e lentamente
vai sulcando passo a passo
o ventre da manhã,
pedindo um cantinho, seu espaço.

faz-me falta o grito do amanhecer,
a luz do olhar, 
o carinho de teu abraço,
o palpitar de teu corpo
na sede do querer.

horas tardias, tanto, tanto a dizer
em palavras que não se ouvem,
que se dissipam entre as quatro paredes...
só vós sabeis entender
o fogo dos sentidos.

esconde-te noite, deixa clarear,
renascer a emoção,
reacender o fogo do luar da paixão
por entre as estrelas...
deixa-me sair de teu ventre, manhã....




livros...


na minha secretária,
livros que eu não li
romance, história,
género light também,
são livros que comprei
e a ti dediquei,
como se dedica um poema,
uma canção,
ou tão somente o refrão...

um dia, ao ler,
vou pensar que estou a ler para ti
numa cama sentados, 
por entre os lençóis amarrotados,
e sei que vais pedir para reler
uma frase, um parágrafo,
e tudo entender
como se fizesses parte do guião,
actor com direito a opinião...

sabes, faz-me falta 
o que nunca falta fez,
que é ver-te um livro desfolhar
como quem muda a roupa de um filho,
e tudo assimilar,
quantas vezes comparar
o incomparável,
porque um livro é uma história, uma ilusão,
muitas palavras paridas pela mão...





outros voos...



sigo a borboleta,
que de flor em flor
vai pousando,
bate asas
e vai voando,
e na sua fragilidade
não se cansa...

ainda que fustigante a brisa,
vai voando, esvoaçando,
fugindo do caçador,
de quem lhe inveja a cor
e a quer tornar presa...sem vida

de que serve entre as folhas,
entre o esquecimento do armário,
sem vida, sem liberdade?
Gosto de ti borboleta, voando na minha cidade...




sábado, 31 de maio de 2014

outros horizontes...


abro meus horizontes,
minhas fronteiras,
e todos os caminhos agora são meus,
estradas, avenidas,
até o caminho das estrelas,
tudo está à minha frente

como quem viaja, e vê uma miragem,
no pensamento, a fantasia
dos loucos, a fugaz alegria 
de que é possível seguir sempre viagem.

abro meus horizontes,
minhas fronteiras,
agora sem portagens, sem montanhas,
sem mar, sem rios, sem pontes,
apenas avenidas de flores e cor,
árvores ladeando quem passa em esplendor...



quinta-feira, 29 de maio de 2014

palavras mal(ditas)...





vêm no vento as palavras que foram ditas,
sonhadas, e que julgavamos abençoadas
por um deus um dia inventado.
uma a uma são decifradas
e já não dizem nada, tudo é vazio,
nem existem como caracteres desenhados...

devolvo-as ao vento, ao tempo passado,
em formato amarrotado
como quem faz bola de papel...
se eu fosse jogador, mesmo jogador de rua,
chutaria bem longe a bola, se possível até a lua,
ou até saturno, em forma de anel...

terça-feira, 27 de maio de 2014

meu mundo...



subtilmente abres as portas do meu mundo,
lado a lado com a inocência no olhar,
e é nesse olhar, sereno e profundo,
que me questionas, sinto-o, e mesmo sem falar
lês todo um ser, como se um livro aberto...

nada escondo, e de te sentir tão perto
baralham-se minhas contas, o atrevimento
renasce, florescem, incendeiam-se mil ideias
numa mente que te despe no momento,
e me encanta, como se embalado por mil sereias...

ouço o mar, a espuma se sumindo no areal,
outros ruídos, tentativas de afastar meu medo,
dúvidas...e nesta guerra, minha, invento um sinal,
armadilhas, se invadirem meu refúgio, meu rochedo...


segunda-feira, 26 de maio de 2014

aromas da manhã...


no ar fresco da manhã, os aromas,
as lembranças, as palavras
ainda ressoando no tempo,
com toda a gente que passa
com ou sem destino certo...

que importa... leva-as o pensamento,
as horas certas do relógio,
e nem reparam quem fica,
quem, no olhar, está ausente
ou tão só, só, no meio da gente...

o ar fresco da manhã, é uma ilusão,
é um escape, hipotética recaída
nos caminhos sem direcção,
ou trilhos perdidos...quantos, sem saída...


domingo, 25 de maio de 2014

outros olhares...


quando olhavas meus olhos e vias o mar,
dizias que te sentias baloiçar
num barco, em calmas ondas,
navegando num mar sem fim
como sem fim era a paz no meu olhar...

falavas das estrelas, falavas do luar,
falavas do desejo de ser anjo,
e sendo anjo, eu voaria em tuas asas
pelo paraíso que inventaste para nós...

mas os olhos cansam-se no tempo,
e onde vias mar, nasceram nuvens,
castelos cinzentos, ameaçando tempestade...

já não serias anjo, nem terias asas,
e o que seria paraíso, não passam de dunas
onde o mar bravo trai os namorados...


sábado, 24 de maio de 2014

apenas eu... e o silêncio...


remete-se ao silêncio,
ouvindo o silêncio,
os sons da alma...

tão claro o silêncio,
tão visível,
tão transparente...

mede cada palavra,
cada sílaba,
e sente o que sempre sentiu...
o silêncio não mente.

olhos nos olhos,
o silêncio entre os lábios
e o sentir do bater do coração...
a alma lê... a alma sente....

tão claro o silêncio,
tão visível,
tão transparente...



sexta-feira, 23 de maio de 2014

imagem...



de mil imagens se veste um corpo,
imagens de fantasia, uma a uma
passando vertiginosamente, 
no tempo que o pensamento consente.

e tudo é tão ilusório, tão fugaz,
o registo que o espelho nos traz,
quando tudo ainda é inocente...

passam os anos, registos que lêem 
o que os olhos não vêm,
mas quem quiser ver, o espelho não mente.....


quinta-feira, 22 de maio de 2014

ares de primavera...



gosto da primavera,
gosto das cores, do reboliço
que o vento lhes traz
como querendo chamar a atenção...
gosto da magia da renovação
em cada planta, sopro de "vida"
que se vai perdendo até o fim da estação...
sim, gosto da primavera,
da brisa fresca na manhã,
do céu azul, como se pintado em aguarela,
mas por mais que eu goste da primavera,
sinto que ela não gosta de mim...