terça-feira, 27 de maio de 2014

meu mundo...



subtilmente abres as portas do meu mundo,
lado a lado com a inocência no olhar,
e é nesse olhar, sereno e profundo,
que me questionas, sinto-o, e mesmo sem falar
lês todo um ser, como se um livro aberto...

nada escondo, e de te sentir tão perto
baralham-se minhas contas, o atrevimento
renasce, florescem, incendeiam-se mil ideias
numa mente que te despe no momento,
e me encanta, como se embalado por mil sereias...

ouço o mar, a espuma se sumindo no areal,
outros ruídos, tentativas de afastar meu medo,
dúvidas...e nesta guerra, minha, invento um sinal,
armadilhas, se invadirem meu refúgio, meu rochedo...


segunda-feira, 26 de maio de 2014

aromas da manhã...


no ar fresco da manhã, os aromas,
as lembranças, as palavras
ainda ressoando no tempo,
com toda a gente que passa
com ou sem destino certo...

que importa... leva-as o pensamento,
as horas certas do relógio,
e nem reparam quem fica,
quem, no olhar, está ausente
ou tão só, só, no meio da gente...

o ar fresco da manhã, é uma ilusão,
é um escape, hipotética recaída
nos caminhos sem direcção,
ou trilhos perdidos...quantos, sem saída...


domingo, 25 de maio de 2014

outros olhares...


quando olhavas meus olhos e vias o mar,
dizias que te sentias baloiçar
num barco, em calmas ondas,
navegando num mar sem fim
como sem fim era a paz no meu olhar...

falavas das estrelas, falavas do luar,
falavas do desejo de ser anjo,
e sendo anjo, eu voaria em tuas asas
pelo paraíso que inventaste para nós...

mas os olhos cansam-se no tempo,
e onde vias mar, nasceram nuvens,
castelos cinzentos, ameaçando tempestade...

já não serias anjo, nem terias asas,
e o que seria paraíso, não passam de dunas
onde o mar bravo trai os namorados...


sábado, 24 de maio de 2014

apenas eu... e o silêncio...


remete-se ao silêncio,
ouvindo o silêncio,
os sons da alma...

tão claro o silêncio,
tão visível,
tão transparente...

mede cada palavra,
cada sílaba,
e sente o que sempre sentiu...
o silêncio não mente.

olhos nos olhos,
o silêncio entre os lábios
e o sentir do bater do coração...
a alma lê... a alma sente....

tão claro o silêncio,
tão visível,
tão transparente...



sexta-feira, 23 de maio de 2014

imagem...



de mil imagens se veste um corpo,
imagens de fantasia, uma a uma
passando vertiginosamente, 
no tempo que o pensamento consente.

e tudo é tão ilusório, tão fugaz,
o registo que o espelho nos traz,
quando tudo ainda é inocente...

passam os anos, registos que lêem 
o que os olhos não vêm,
mas quem quiser ver, o espelho não mente.....


quinta-feira, 22 de maio de 2014

ares de primavera...



gosto da primavera,
gosto das cores, do reboliço
que o vento lhes traz
como querendo chamar a atenção...
gosto da magia da renovação
em cada planta, sopro de "vida"
que se vai perdendo até o fim da estação...
sim, gosto da primavera,
da brisa fresca na manhã,
do céu azul, como se pintado em aguarela,
mas por mais que eu goste da primavera,
sinto que ela não gosta de mim...


terça-feira, 20 de maio de 2014

na palma da mão...


é nas águas calmas de um rio
que navega o pensamento,
sem barco, sem remos,
apenas flutuando, deslizando
tal a leveza que leva dentro...

não ousem tocar, acordá-lo,
ou numa pequena onda
puxá-lo à margem,
pretende-se demorada a viagem
antes que o mar possa levá-lo...

se chegarem as chuvas de Abril
e se os desenlaces forem mil,
outras águas calmas surgirão,
num rio, num ribeiro, numa concha em minha mão...


segunda-feira, 19 de maio de 2014

minhas mãos nas tuas...


prende minhas mãos nas tuas,
sente, lê cada palavra
escrita pelos meus dedos
como se escrita pelos meus lábios
nos lábios teus...

lentamente, degustando o prazer,
lembra do chocolate,
das amêndoas na Páscoa
ou dos morangos de paixão,
por entre o espumante no verão...

espera, sente o calor de minha pele
tacteando a tua pele,
os dedos novamente escrevendo
todos os passos a seguir...

teus olhos, teus movimentos
pedem mais, erecção dos sentidos
em tantos planos proibidos...
prende minhas mãos entre as tuas,
como se, bem fechadas,
guardássemos eternamente a vida...




sábado, 17 de maio de 2014

utopias...



não foi em vão 
que na noite trilhei caminhos,
atravessei riachos,
e ouvi os sons do coração.

não foi em vão
que subi escarpas,
serras, derrubei muros,
e te estendi a mão.

não, não foi em vão
que despi os medos,
enfrentei oceanos,
e sem armaduras de aço, disse "não".

acredita..eu acredito... não foi em vão
o beijo que ganhamos,
o abraço que o frio selou para sempre,
e hoje sentimos, como singela recordação...

mas sabes, talvez fosse em vão,
se o "amanhã" fizesse parte do refrão...



sexta-feira, 16 de maio de 2014

raízes... de vida!!



parecem iguais os dias de todos os dias
como iguais as histórias  de vida...
mesmo ao lado, as árvores que crescem, crescem
e que nem demos conta... como cresceram
dizemos nós, quando olhamos em retrospectiva...
a nossos pés, as raízes que tudo tomaram,
que se alimentaram
e nós nem sentimos.. e elas ali, rebentando os caminhos...

parecem iguais os dias de todos os dias...
mesmo sentindo nas veias, 
no mais profundo do ser
que as histórias de ontem são páginas viradas,
a cada novo dia, a cada novo respirar
como as raízes que crescem, crescem,
haverá sempre um capítulo a recordar,
ainda que o livro esteja inacabado...


terça-feira, 13 de maio de 2014

o tempo e os loucos...



quão levianos e soltos
os caminhos traçados,
meticulosamente 
na mente gravados,
no sangue... 
na vida....

quão levianos e loucos
os que se perderam,
os que se baralharam
em encruzilhadas
de mil saídas,
que não eram mais que mil entradas...

quão levianos e imprudentes
(e que também foram loucos),
os que se julgaram amantes...oh inocentes,
tudo perdestes...em encruzilhadas que eram d`outros...


segunda-feira, 12 de maio de 2014

meu relógio...



horas tantas, e tanto o silêncio
nas tantas horas que o relógio tem...
compassadamente, gira, gira,
enjoa o espírito de tanto vai e vem...

e neste silêncio, mata a alma,
noite após noite, dia pós dia,
até que um dia, morra o relógio também...


domingo, 11 de maio de 2014

outras árvores...



sinto que nasci árvore de mil folhas,
sendo que cada folha seria uma história de amor...
algumas caíram ao crescer, sem dor,
outras se agigantaram,
e a pouco e pouco, sinto que me vergaram,
por não quererem voar,
ou até, simplesmente planar
na brisa que passava...
(amar, é seguir viagem em qualquer estrada...)

passados tantos anos,
a árvore vai crescendo quase até o céu,
contam-se os ramos,
as folhas ainda verdes, sem danos,
e novos rebentos espreitando a vida...
(amar, é uma longa estrada, quantas vezes proibida..)