segunda-feira, 12 de maio de 2014

meu relógio...



horas tantas, e tanto o silêncio
nas tantas horas que o relógio tem...
compassadamente, gira, gira,
enjoa o espírito de tanto vai e vem...

e neste silêncio, mata a alma,
noite após noite, dia pós dia,
até que um dia, morra o relógio também...


domingo, 11 de maio de 2014

outras árvores...



sinto que nasci árvore de mil folhas,
sendo que cada folha seria uma história de amor...
algumas caíram ao crescer, sem dor,
outras se agigantaram,
e a pouco e pouco, sinto que me vergaram,
por não quererem voar,
ou até, simplesmente planar
na brisa que passava...
(amar, é seguir viagem em qualquer estrada...)

passados tantos anos,
a árvore vai crescendo quase até o céu,
contam-se os ramos,
as folhas ainda verdes, sem danos,
e novos rebentos espreitando a vida...
(amar, é uma longa estrada, quantas vezes proibida..)




sábado, 10 de maio de 2014

minha "casa"...




minha casa não tem portas,
não tem janelas, não tem grades...

minha casa é tal e qual um coreto
onde tocam as bandas de música,
onde se vêm as pessoas, olhos nos olhos,
sem segredos ou qualquer medo...
esta casa, sem janelas, sem grades,
é resistente, tal e qual um rochedo...

mas esta casa (como é possível??),
tem sentimentos... é um coração,
é um vai vem, sempre pulsando,
e vai aguentando
uma após outra, a desilusão,
mas sempre dá a mão, buscando outra mão...



domingo, 4 de maio de 2014

outras pontes...



quanta sede em meus lábios,
nestes olhos queimados e tristes,
pelos teus, que na manhã seduzistes
e entre nós se fez ponte.

num corpo parado olhando o horizonte
qual navio naufragado aguardando abate,
já não choram os olhos (é bom o disfarce),
mas morreram as palavras, os risos, ficou a dor...

enrolando na areia, vem o mar no seu esplendor,
e o que ontem foram dunas, espaços dos amantes,
tudo se perdeu, restam as memórias já sem graça.

fica a sede em meus lábios, no pensamento que passa,
até que chegue o dia, em que tudo será como dantes,
sem resquícios de sede, sem pontes entre nós...



sábado, 3 de maio de 2014

no silêncio...



em vão troco as voltas ao pensamento,
ao diluir das palavras já gastas,
como se as histórias não se perdessem no tempo
e ficassem só os títulos, amarrotados, em velhas pastas...

num ápice, um turbilhão de momentos,
os olhares que liam a alma, os beijos que nos uniam
num só corpo, e que de tanto amor sedentos,
tudo parava, como os anjos previram e queriam

faz tanto vento lá fora nesta manhã de sol e cor,
e tudo aqui é silêncio... veste-se de luto o meu amor...


sexta-feira, 2 de maio de 2014

escrevo para ti...


escrevo para ti, 
com as palavras coloridas que invento...
Sabes, nunca fui bom pintor,
mas as palavras aqui desenhadas
ganham cor,
ou não fossem palavras de amor...

assim, amor
rima com flor,
e o pequeno ciúme
rima com perfume.
saudade...
essa só rima com verdade,
a verdade dos corações sinceros,
sem os espinhos das rosas
mesmo nas mais formosas.

escrevo para ti, 
num dialecto que os olhos entendem,
que os lábios percebem,
e ao escrever-te, meu coração sorri...


teu afago...



sinto teu toque em meu rosto,
teu afago nas manhãs de primavera,
no pôr do sol no verão.
em cada afago, um sopro no coração,
com palavras que só ele entende...

abro a janela para a vida,
preciso te sentir novamente
na brisa que tarda chegar...
talvez tenhas adormecido, ou te sintas perdida...
Amor, ainda é cedo, tenho todo o tempo para amar...

e são estes gestos que se repetem,
gestos que não mentem,
como dois corpos se amando,
se fundindo no acto,
almas gémeas gemendo e vibrando...


quinta-feira, 1 de maio de 2014

céu azul...


passam as nuvens, voam,
deixando ver o céu azul,
e eu só queria ver o céu azul,
o azul dos sonhos,
o azul da infância,
sem nuvens, sem sombras...

nuvens que passais,
sombras, ou almas viajantes,
descansai, que os passos errantes
do caminhante sem destino,
tenha o azul do céu por companhia,
uma luz, um anjo no caminho...

meu anjo da guarda,
minha lembrança de menino,
(sim, sempre lhe rezava em pequenino),
olha por mim... não quero ir na nuvem que passa...


domingo, 27 de abril de 2014

sonhos e fantasias...



foi na tarde de domingo
que lancei as palavras ao céu,
desse no que desse,
quem as apanhasse,
talvez adivinhasse
o que minha alma escreveu...

ou então, talvez soubesse
o destino das palavras,
a alma pura onde coubesse
cada verso, cada suplicio de saudade,
como testemunham cada tarde,
o dia, a noite, cada prece...

são as tardes de domingo
tardes de todos os dias,
de todas as estações,
tardes de sonhos e fantasias...


sexta-feira, 25 de abril de 2014

um dia de Abril...




quanto ruído lá fora...
quanta conversa fora de hora
como se a manhã,
o dia que nasceu,
alguma vez fosse entender...

shiuuuu... dêem-me um livro,
uma folha onde escrever,
e o silêncio... é tudo o que preciso...



quinta-feira, 24 de abril de 2014

o campo e as flores..



olho a terra em redor,
sem o betão
ou o negro asfalto
das máquinas poluentes...

livre, sem pegadas,
dela brotam mil flores,
e são tantas as cores
que esqueço vivo na cidade...

incauto o coração,
admira  na simplicidade
a beleza e a contradição
de outras, que se "vestem" de falsidade...


quarta-feira, 23 de abril de 2014

contador de histórias...



já não sei contar histórias
nem escrever palavras com vida,
onde cada sílaba, cada acento,
descrevia o momento
de uma forma colorida e sentida.

já não sei contar histórias
não sei sequer falar de amor,
e cada página daquele livro por acabar,
são retalhos, ondas de um outro navegar,
sem terra á vista, mas tanto mar, alegria maior...

mas sei falar das memórias,
dos contos de fadas e dos sonhos,
dos pesadelos (alguns medonhos),
e das certezas...tantas.. outras, inglórias...



terça-feira, 22 de abril de 2014

escrever, o quê?

poderia escrever um poema
ou prosa com tons de poesia...
poderia escrever...
mas não escrevo...
aliás, nem sei qual o tema
a que me proporia,
tal o vazio no querer...

se eu fosse jardineiro,
falaria da beleza e do perfume
das flores, no canteiro...

se eu fosse artesão,
seriam as peças a falar
moldadas por minha mão...

se eu fosse dono do mundo,
talvez deixasse falar meu coração
no teu coração... só por um segundo...