sexta-feira, 25 de abril de 2014

um dia de Abril...




quanto ruído lá fora...
quanta conversa fora de hora
como se a manhã,
o dia que nasceu,
alguma vez fosse entender...

shiuuuu... dêem-me um livro,
uma folha onde escrever,
e o silêncio... é tudo o que preciso...



quinta-feira, 24 de abril de 2014

o campo e as flores..



olho a terra em redor,
sem o betão
ou o negro asfalto
das máquinas poluentes...

livre, sem pegadas,
dela brotam mil flores,
e são tantas as cores
que esqueço vivo na cidade...

incauto o coração,
admira  na simplicidade
a beleza e a contradição
de outras, que se "vestem" de falsidade...


quarta-feira, 23 de abril de 2014

contador de histórias...



já não sei contar histórias
nem escrever palavras com vida,
onde cada sílaba, cada acento,
descrevia o momento
de uma forma colorida e sentida.

já não sei contar histórias
não sei sequer falar de amor,
e cada página daquele livro por acabar,
são retalhos, ondas de um outro navegar,
sem terra á vista, mas tanto mar, alegria maior...

mas sei falar das memórias,
dos contos de fadas e dos sonhos,
dos pesadelos (alguns medonhos),
e das certezas...tantas.. outras, inglórias...



terça-feira, 22 de abril de 2014

escrever, o quê?

poderia escrever um poema
ou prosa com tons de poesia...
poderia escrever...
mas não escrevo...
aliás, nem sei qual o tema
a que me proporia,
tal o vazio no querer...

se eu fosse jardineiro,
falaria da beleza e do perfume
das flores, no canteiro...

se eu fosse artesão,
seriam as peças a falar
moldadas por minha mão...

se eu fosse dono do mundo,
talvez deixasse falar meu coração
no teu coração... só por um segundo...



segunda-feira, 21 de abril de 2014

outros calendários...



ontem, eras a manhã cândida
de um dia frio de Janeiro...

amanhã, serias o dia e a noite
de um calendário só nosso,
feito entre os lençóis de seda
e o areal da extensa praia...

mas como avançar no tempo,
se hoje ainda é o momento
dos sonhos e das certezas?

como uma bola de sabão
sem asas, viajando 
na brisa do vento,
assim lanço a vida, voando
entre as nuvens e as estrelas,
leve, tão solta, tão despida,
sem laços que a prendam,
sem qualquer guarida...


domingo, 20 de abril de 2014

"partidas" do tempo...



na palma da mão,
um punhado de tudo
um punhado de nada,
como grãos de areia
se sumindo no vazio...

abro a outra mão
onde prendia os sonhos,
os sorrisos da manhã,
mas também se sumiram
ou alguém os levou na escuridão...

aperto as mãos como quem agarra a vida
e deixo-me levar ao sabor do vento,
sem olhar para trás,
fugindo das partidas do tempo...



sábado, 15 de março de 2014

histórias de verão...



ainda chamas pelo verão,
pelas manhãs de nevoeiro,
pelo amor nas dunas?
tudo era silêncio...
para quê falar 
se os corpos se entendiam
e sorriam à paixão?

mais abaixo, o mar,
o sereno enrolar na areia,
e nesse embalar,
cada olhar, cada beijo,
era mais uma estreia
para espicaçar o desejo...

tão leve teu corpo
baloiçando ao sabor da brisa,
teus cabelos esvoaçando,
e teus peitos sussurrando
pelos lábios meus...
tão bom adormecer nos braços teus...


manhã de março



manhã de Março, primavera em flor...
ouve, cantam as rolas, os melros,
tudo ganhou vida, tanta cor...
até o mar docemente morre na areia
e nos convida a entrar, qual canto de sereia...
manhã de Março... convite ao amor...



sexta-feira, 14 de março de 2014

na despedida...



estranha a forma de partir,
sem um adeus, ou até já...
como se não houvera despedida,
mas tão só uma fugida
como quem faz um recado...

sorriem os namorados
e num longo beijo apaixonado,
partem um para cada lado,
mas levam os sonhos
nos lábios ainda molhados...

se um dia partires no vento,
não acenes, nem olhes para trás.
talvez já não vejas ninguém,
nem a sombra da imagem...
tudo se transformou em miragem...


quarta-feira, 12 de março de 2014

brilham meu olhos...



brilham meu olhos pelos olhos teus
em cada manhã, em cada fim de tarde,
em cada sonho, mesmo que acordado...
ao ver o brilho dos teus olhos nos meus,
oh amor, impossível não ser verdade
cada frase, cada gesto apaixonado.

riem meus olhos, meus lábios sagrados,
minha nudez, ansiando a tua...
repara, também se despiu a lua
vagueando por entre os namorados.
oh, como se masturba e geme.
triste, só, a lua é como um barco sem leme...


terça-feira, 11 de março de 2014

nasceu o sol, meu amor...



nasceu o sol, meu amor,
e como é lindo o amanhecer,
como se o dia , em forma de flor,
perfumasse o nosso querer
qual bouquet em nosso regaço...

extasiados, solta-se teu abraço
num aperto que prende a alma,
e dá razão aos sentidos...
soltam-se de paixão os beijos
em espaços para tantos proibidos.

que importa a gente que passa...
nasceu o sol, meu amor,
cantam as aves em redor,
solta-se a música com tanta graça
que até esquecemos de fazer amor...



segunda-feira, 10 de março de 2014

como um rio...



como um rio
que em desafio
segue entre margens,
como um barco
remo a remo
contra a corrente,
teimosamente
lanço amarras
onde nada me prende...

ao longe,
uma estrela cadente
e mais mil a brilhar
num céu infinito e presente...

num olhar sereno,
ausculto a alma
e não vislumbro paz...
nada a satisfaz...
tanto luto..tanto enredo...



sexta-feira, 7 de março de 2014

dia de sol...



fez sol, muito sol na minha rua,
mas não vi crianças brincando
nem pessoas de passo apressado...
apesar do sol na minha rua,
já ninguém mora aqui,
ou se moram, talvez nem gostem do sol
e preferem ver à noite a lua...
mas as crianças, a correria das crianças,
trazem-me à memória lembranças
do menino que na rua corria,
e era feliz à noite... quando adormecia...