sexta-feira, 7 de março de 2014

dia de sol...



fez sol, muito sol na minha rua,
mas não vi crianças brincando
nem pessoas de passo apressado...
apesar do sol na minha rua,
já ninguém mora aqui,
ou se moram, talvez nem gostem do sol
e preferem ver à noite a lua...
mas as crianças, a correria das crianças,
trazem-me à memória lembranças
do menino que na rua corria,
e era feliz à noite... quando adormecia...


segunda-feira, 3 de março de 2014

as flores...



eram lindas as flores em meu regaço,
perfumadas, únicas como tu.
mas demoraste, nem sei se chegaste,
e as flores murcharam...
feridas de morte, em meus braços secaram...



domingo, 2 de março de 2014

malmequer.. bem-me-quer...



com a destreza do artesão,
com a sensibilidade do coração,
fiz uma flor, não uma qualquer,
mas um alegre malmequer
para usares dentro do peito...

se gostares, se for a teu jeito,
adiciona-lhe gotas de perfume
para aliviar as palavras de azedume
ditas num momento sem tempo...
tu sabes... o vazio é um tormento...

malmequer, bem-me-quer, malmequer...
que importa, se longo e intenso é o prazer...




BOM DOMINGO...




gota por gota, ainda no leito, ouve-se o cair da chuva
lentamente, como se não houvera pressa,
pressa de desistir dos dias tristes e cinzentos...
através da vidraça, reparo no jardim,
na rua deserta onde ninguém passa...
como são tristes os Domingos sem tua luz, tua graça...



sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

aconteça o que acontecer...



aconteça o que acontecer,
serão meus olhos nos teus olhos,
meus lábios nos lábios teus,
minhas mãos segurando as tuas,
que te darão as respostas
que meu ser nunca te escondeu...           

aconteça o que acontecer,
não haverá serra nem rio,
nem mar, nem sombra de arrepio,
medos, atropelos da razão...
o caminho, o traçou o destino
numa manhã de sol e frio...

aconteça o que acontecer,
haja o que houver,
mil manhãs irão nascer
num mundo de sonhos e querer...


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

baú das recordações...


abre-se o baú das recordações,
palavra por palavra,
letra com letra, numa comunhão
de prazer, e tantas, tantas emoções...

as fotos, os sorrisos,
os cenários que foram paraísos
de momentos de paixão...

as lembranças, tantas...
o esfumar das esperanças,
que uma após outra, se perderam no chão...



quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

gotas de água...



na praça da rua onde moro,
tem um lago e repuxos de água,
onde se sentam os namorados,
onde brincam apaixonados...

esses repuxos de água,
também eles são enamorados
que se soltam no espaço,
sorrindo para quem passa, num longo abraço.

um dia quis levar um  só para mim,
quem sabe gotejando água sem fim
alguém se sentaria a meu lado,
e até quem sabe, me acharia engraçado...

oh, quão triste e tão ignorante
quem se prende por algum caminhante...



na noite....



a noite é minha companhia,
tão só, mas vigilante, eterna timoneira
de meus passos errantes...
mas a cada raiar do dia,
solta-se de meus braços,
não vá alguém estar de vigia
e dizer ao mundo que somos amantes...

e voa, desaparece no clarear
de mais um amanhecer, para logo voltar...
noite, somos tão felizes assim...
tu, sombreando a luz da vida...
eu, entre tua sombra e causa perdida...




terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

vêm de longe...




vêm de longe os ventos, e as marés,
o silêncio em forma de murmúrio...
ouvindo a chuva, pressinto teus pés
caminhando sobre meu rosto
qual sombra etérea e em lamurio...

escuta... são as vozes de augúrio...

longe vão as manhãs de Agosto,
das areias confidentes e sigilosas,
as manhãs perdidas na serra, 
e o aroma do pinho no teu rosto
entre os gemidos abafados pela terra...



segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

um mundo só meu...



sei de um mundo,
um mundo que é só meu,
onde os rios são verdes prados
e os mares tapetes voadores,
onde as flores são perfumadas,
e as árvores tocam o céu...

Um dia, ramo por ramo,
com a certeza dos sonhos,
subirei, subirei bem alto,
saltando de estrela em estrela,
e falarei com a lua...
ah se a lua me quisesse perto dela...

sei de um mundo,
um mundo que é só meu,
onde as lágrimas se sumiram
e os sorrisos renasceram,
onde as palavras suspiram
nos corações que em vão sofreram...


tanto mar...



lá fora já clareou o dia,
e hoje, até brilha o sol...
ouvem-se vozes de alegria
das pessoas que na rua
fazem compras, ou cochicham
da miúda que passa...
dizem que vai nua...

indiferentes, os pássaros no ar,
as rolas, as pegas, passarada em geral,
e é tanto o chilrear
que nem me lembro onde moro,
e este meu canto é à beira mar...

elevo meus olhos ao céu,
ao azul, antes do cinzento que há-de vir,
e esquecendo-me de mim, começo a sorrir,
tanto mar pela frente...um mundo que é só meu...


domingo, 23 de fevereiro de 2014

castelo de sonhos....




construí um castelo de sonhos,
sem alicerces, sem paredes,
sem portas, sem janelas,
apenas um espaço virtual
onde a gravidade nos fizesse viajar
pelos sonhos, de mão dada...

em cada sonho, uma fronteira,
o querer chegar mais longe,
nem que fosse a viagem derradeira
dos eternos amantes.

truz, truz, truz... bate um caminhante...
"só entras se vieres por bem,
se tua alma for um pedaço de céu, e não errante,
perdida, ou desprezada por alguém..."