quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

porque vi o sol...



dia de Inverno, de frio e de chuva,
cinzento como são todos os dias
sem a emoção de que nada vai acontecer...

pego numa folha, em lápis de cor,
desenho o céu, tom azul,
e uma bola como sendo o SOL..

e num ápice, renasceu a Primavera...





terça-feira, 21 de janeiro de 2014

não há estrelas no céu...



correm os vultos na rua
como que imbuídos de chegar
onde o pensamento os leva.
atropelam, seguem em frente.
nada detém quem a pressa faz voar...

loucos, loucos e insensatos,
não pensam nem sonham
que o destino é uma cruz, um altar,
uma tábua... rio sem margem,
mar sem ondas, céu sem estrelas...




sábado, 18 de janeiro de 2014

ouvindo a chuva...



faz-me impressão ouvir a chuva cair...
ouvir a chuva no telhado,
deveria ser como ouvir um piano,
tecla a tecla, em tom embalado
e que só coração sabe ouvir...

de alma limpa e sonhos intemporais,
cada gota deveria provocar uma certeza
ao delinear um a um, no papel, no pensamento,
e em cada um, um pouco da beleza
dos momentos a viver em tantos locais...

fazem-me falta as manhãs de poesia,
de cor, vida e de encanto,
do cinzento e da promessa no horizonte
que se iria esbater em pranto,
por entre os espaços, qual toque de magia...



quinta-feira, 16 de janeiro de 2014



como se fosses Anjo,
voa pelas estrelas da imaginação...

como se fosses criança,
dorme em meus braços
ouvindo te contar um conto,
uma história, ou pedaços
de vida...

talvez até escreva um poema
descrevendo a paz em teu rosto,
e nos teus olhos fechados,
quem sabe verei manhãs de Agosto,
algures... fora de tempo...

como se fosses Anjo,
faz da vida um dia de sol e dança ao sabor do vento...


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

barco de papel....





sereno o mar, sem ondas,
sem a espuma se espreguiçando no areal...
como criança brincando com barco de papel,
entro mar dentro, sonhando navegar
até tocar linha do horizonte...

meu mar, meu céu, meu pôr do sol,
recanto dos sonhadores,
partilhado pelos amores
das horas tardias...

meu barco, barco de papel
sem remos , sem vela,
é uma aguarela
assim como o mar azul, num sonho azul,
numa foto já amarelada pelo tempo...




terça-feira, 14 de janeiro de 2014

eu e o silêncio...



agora, vives comigo, silêncio
de todas as horas,
como se convidado fosses
e tivesses o melhor lugar na mesa...

tomas como tuas minhas vestes,
meus amores,
as histórias que antes falavam,
até o pulsar de meu coração...

mas sabes silêncio,
são de luto meus dias,
minhas noites de desassossego,
e a ti me apego
até que renasça a primavera,
ou a luz feita prisioneira.

trata-me bem, silêncio...
num abraço adúltero,
finge que namoras meu pensamento
e o tomas num orgasmo intenso,
até o findar da vida,
até o limite do nosso tempo...





terça-feira, 7 de janeiro de 2014

sábado, 4 de janeiro de 2014

muito mais....



era tanta a chuva, o granizo,
era tanto o vento que tudo levava,
que tudo era quase nada
e muito mais seria preciso,
para esquecer o profundo de teu olhar,
ou o teu abraço olhando o mar...



quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

primaveras...



como estão despidas as árvores,
sem folhas, sem vida,
parecem espantalhos de pedra,
inertes, uma e outra ferida
pelo vento que tudo quebra.

comparo com as almas apaixonadas,
despojadas de tudo, transparentes,
saltando de sonho em sonho, quimera em quimera,
até que o vento lhes corte as asas, e tão carentes,
repugnam o inverno da vida e anseiam pela primavera.

saudades de ti, estação de vida em flor,
do azul do céu e das aves em corrupio,
saudades do sol no longo areal sem gente,
dos abraços que nos abraçam, dos beijos no teu rosto frio...
saudades de tua alma em meu corpo, serena, bela e inocente...


domingo, 29 de dezembro de 2013

silêncio...




e tudo se resume a silêncio,
inquietação... dor!!
e o tempo que nada diz,
até parece aprendiz
nas tardes sem luz, sem cor...





sábado, 28 de dezembro de 2013

momentos...



despidos de medos,
de desassossegos,
sentimos o desabrochar
das flores inertes,
e tacteando, seguramos firme
quando em acelerado escalar...

é assim que sinto teu respirar
quando teus olhos vêm o horizonte,
e os meus, a estreita passagem,
onde se derretem a doçura e o prazer
como nos sonhos, sem qualquer miragem...



domingo, 22 de dezembro de 2013

outra face da história...


como noutros tempos,
tempos que chamaram de  Natal,
abeirou-se de um barraco,
apenas palha e madeira seca,
e com a manta que trazia,
fez um leito, ainda que parecesse mal,
e no canto uma chama, que a aquecia.

passavam as pessoas,
espreitavam e murmuravam
"quem seria a desconhecida"??
e ela mantinha-se só, apenas só,
aguardando seu tempo,
um tempo fora do tempo,
porque o tempo, de ninguém tem dó...

chegaram as horas da libertação,
da dor, do sufoco,
do desconhecido e da imaginação,
até que gemidos se ouviram,
gritos de criança, tamanha aflição
que as pessoas ouviram e seguiram
até o interior do barracão...

benzeram-se, choraram...
aquela história, sim, era igual à outra,
uma outra que lhes contaram
quando meninas, ainda sem pecado,
e o menino que nascia, podia nem ter pai,
um pai imaculado,
mas um qualquer, sem trabalho, ou do acaso...

chamaram o padre da aldeia,
a fanfarra, a bicharada que por ali andava,
e foi tão grande a algazarra
que até o menino sorria...
trouxeram migas de vinho, canja de frango...
o menino provava, o menino comia,
e por ali ficaram, noite após noite, dia após dia...