sábado, 19 de outubro de 2013

como no filme...



somos actores,
actores maravilhados
pelo desejo que nos impele,
mesmo que saciados
e resignados ao toque na pele...

e como num filme de cinema,
somos actores
que decoraram cada pedaço de cena,
em poses de amadores
mas libertinos na entrega...

a câmara baloiça, mal segura,
por entre os dedos sem norte
nos gemidos de ternura.
estranha a forma, estranha a sorte,
num filme com laivos de loucura...



sexta-feira, 18 de outubro de 2013

a voz...




a voz...
a tua voz,
a sonoridade de tua voz
no silêncio das paredes,
nas veias de meu corpo,
no ímpeto de minha alma...
e tudo flui em calmas águas,
tal e qual uma casca de noz...




quinta-feira, 10 de outubro de 2013

perfeito...



a música, batida suave, segue seu caminho
no ambiente quase puro, intimista,
qual suite dourada virada ao mar...

os namorados, em erótico carinho,
respiração ofegante, leve palpar,
deixam-se nas ondas embalar 
embebidos do amor, sexo em desalinho.

refreia o momento a brisa que passa,
e a exaustão deixa marca, graça,
nos corpos que se limpam.. no lençol de linho...



terça-feira, 8 de outubro de 2013

se fosses maçã...






como se fosses maçã,
meio verde, meio madura,
colhida ainda na manhã,
polpa segregando frescura.

nos olhos, a fascinação,
na boca, o êxtase do prazer,
evoluindo até a redenção
de não comer, para a não perder...






segunda-feira, 7 de outubro de 2013

como se fosse água...



como se fosse água,
gota de água,
pingo de chuva
ou de orvalho,
assim vai meu lamento
de árvore em árvore,
em cada botão de rosa,
em cada rebento,
ou na simples erva
na berma da estrada...

ao chegar ao palco maior,
á luz dos holofotes,
onde a plateia vai ver
escrita com dor,
rima desvirtuada,
alma sem dotes,
por favor, apaguem a luz,
0 silêncio me seduz...



domingo, 6 de outubro de 2013

Bom Domingo...


e é neste céu azul,
que voo qual borboleta
ao sabor da brisa,
sem destino,
mas com pensamento preciso,
"a vida, se vivida, tem sentido"...






sexta-feira, 4 de outubro de 2013

na noite, no silêncio...



noite... noite e silêncio,
acolhimento,
entretenimento,
um livro a ler...

na TV, imagens em corrupio,
no silêncio,
e de fio a pavio
escrevem-se coisas
só para dizer, "existo"...

apago a luz,
o sono fazendo sinal
de que é ele quem conduz
minha caminhada...afinal
minha vida é controlada...

fecho os olhos,
mil imagens no pensamento,
histórias, chamamento...
desligo a válvula de entrada,
venha depressa a madrugada...




quinta-feira, 3 de outubro de 2013

rosa amarela...



desfolha a rosa amarela,
botão de rosa acabado de abrir...
no sossego do canteiro,
o sol a fazia sorrir,
talvez fosse o beijo primeiro
antes da chuva cair...

severas as chuvas de Outono,
o vento, o fim de vida...
ai rosa amarela,
tão bela, tão despida...




domingo, 29 de setembro de 2013

suor e lágrimas...



são as mãos que seguram,
os lábios que mordem e saciam
o irromper da plenitude...

vem a brisa, o canto das aves,
o suor agridoce, o brilho no olhar,
e tudo flui em encanto e quietude...



sábado, 28 de setembro de 2013

histórias de vida....



de que forma, de que jeito
se cuida da saudade,
quando dentro do peito
a dor existe, a chama arde?

leio e releio contos, histórias,
passam os filmes da vida
compactados nas memórias,
partilhados, passo a passo seguida...

e tanta história, tanta emoção,
em mil palavras seduzem
quem as lê, porque as lê o coração,
e no momento se reproduzem...

de que forma, de que jeito
se cuida da saudade,
se longa é a espera, curto o leito,
definhando na vida que passa, a mocidade...






terça-feira, 24 de setembro de 2013

finalmente... a chuva!!



soltou seus longos cabelos,
e assumiu sua liberdade na rua...

quem passava, parava,
vê-la ali, dançando na chuva
ainda que semi nua,
contornos suaves,
quase audazes,
tentadores, para quem sonha.
  
mas em tudo o resto, era alheio
seu corpo, que molhado pela chuva,
bronzeado, sem mácula do tempo,
dava asas à imaginação...e dançava...

e dançava... até seu corpo cair na exaustão...
deixou-se amparar pela árvore da praça,
pelo banco de jardim, refúgio de quem passa...
pudera eu te abraçar... ou só tocar tua mão....




domingo, 22 de setembro de 2013

outono...



era noite quando bati em tua porta,
lembras? deixaste entrar,
e a medo serviste o Outono que chegava,
o inverno das incertezas,
e a primavera que haveria de desabrochar...

repara... batem à porta!
é o Outono renovado a voltar...

parece que foi ontem, lembras?
e no entretanto, tanto sol, tanto verão, tanto mar...



segunda-feira, 16 de setembro de 2013

versos, ou talvez não....



cada verso é uma história,
um sentimento, um desejo,
uma composição, 
um poema, um sorriso,
ou mesmo uma canção.

verso a verso,
melodiosas nascem as palavras
como que arrancadas do ventre,
umas vezes a fogo,
outras serenas, como o sol poente...

assim cantam os poetas
ou quem lhes sabe ler o coração,
assim sonham as almas,
os incautos da paixão
levados pelo sentimento...

eu sei, lua, estrelas do azul imenso,
musa dos olhos de água,
manhãs frescas da vida,
ou mar que sustem esta mágoa....
os versos que escrevo, são retratos, paixão sentida...