sábado, 17 de agosto de 2013

espelhos....




olham-se como se fosse uma descoberta,
cada ponto, cada protuberância de seus corpos...
tocam-se e saciam cada dedo de suas mãos,
cada poro de sua pele, qual mente desperta
fantasiando e improvisando sensações...

devoram-se os corpos... choram os corações
pelo amanhã que se perdeu em parte incerta,
qual gota de água num mar de emoções...





sexta-feira, 16 de agosto de 2013

no deserto do prazer...



como duas aves ávidas pelo momento,
fizemos nosso o tempo
por entre o murmurar das ondas,
e a indiferença de quem passa...

nossas asas se entrelaçavam
e os corpos suplicavam,
tal o rumor que emanava das entranhas,
gestos, beijos, carícias ousadas...

e tudo era pouco, tão pouco,
(até o prazer te chamava de louco),
pela entrega e pelo ausência do acto,
como se amar fosse apenas espectáculo...

felizes os amantes das areias
e dos jardins floridos da primavera,
felizes os que gemendo, são sereias,
não do mar, mas dos momentos sem regra...




quarta-feira, 7 de agosto de 2013

coração de mãe....



porque choram teus olhos, mãe?
tantos os anos que já passaram,
mas tu lembras cada um deles
que por mim, por ti voaram...
e já são tantos mãe...
até lembras dos meus primeiros dias de escola,
do sofrimento dos meus passos,
da dor que a vida contém...

mas sabes mãe,
meus olhos também choraram pelos teus...

sei que um dia... esse dia será de dor,
silêncio, raiva e ao mesmo tempo Amor,
porque sempre te vou lembrar, mãe, 
ao ver os olhos meus...



terça-feira, 6 de agosto de 2013

no teu olhar....



olhar teus olhos
é como visitar tua alma,
percorrer teus desejos,
embrenhar-me neles,
deslizar ao mais intimo de ti.

sem me perder nos atalhos
que distraiam meu sentido,
continuo este jogo,
(sei que é perigoso),
mas chegarei, até ao mais intimo de ti...

deixa-me ficar, pernoitar,
saciar-te de beijos,
deixa-me morrer de amor
como só os amantes 
se entregam, mesmo no mais intimo de ti...

Amor, Amor,
teus olhos, são meus olhos,
tua alma, minha alma,
teus desejos, meus desejos,
teu corpo, parte integrante do meu...

domingo, 4 de agosto de 2013

num papagaio de papel...


esbati tua imagem, colorida,
sobre folha de papel de ceda.
dessa folha, imaginei um papagaio,
sem asas, voando no céu
ao sabor do vento e da minha imaginação.

dei-te corda, vida, liberdade,
e tu voaste cada vez mais alto,
longe de meu olhar, da minha razão,
procurando outros ventos
outros passatempos, noutra estação.

ficaram tristes meus olhos,
e a parede, que sonhava com tua imagem...
alegraram-se os anjos e o sol
por te terem ali, e não, não era miragem,
eras mais uma estrela na noite, em viagem...




sábado, 3 de agosto de 2013

no silêncio...



como desceu rápido a noite,
o vazio do silêncio,
e a penumbra nas paredes...
lá fora, o vento tudo agita,
as sombras se agigantam
e arrepiam o comum dos mortais...

ainda à pouco brilhava o sol,
ouviam-se as andorinhas,
as crianças sorrindo...
ouviam-se os sonhos,
os desejos palpitavam,
os olhos brilhavam...

fecho os olhos ao silêncio,
ao medo que sobrevoa
e trespassa este ser,
como folha seca de árvore,
como pedaço de papel
ressequido pelo sol...


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

o silêncio das palavras...



como faca de dois gumes,
o silêncio corta a poesia
das palavras da alma,
o brilho do sorriso,
o esplendor do amor...

como se o silêncio
usurpasse a voz do coração,
mutilando-o
em mil pedaços,
o espalhasse pelo chão...



segunda-feira, 29 de julho de 2013

outros sabores....














faz-me falta o perfume de tua boca
por entre a maresia do mar...
cada gota de água,
este salgado mais que mágoa,
é o equilíbrio, o ponto perfeito
entre o querer e o ter,
o desejo e a indiferença,
que teus lábios não sabem esconder...





na janela...




na janela, perde-se o olhar
por quem passa, por quem nada diz...
são gente anónima, 
como anónimo é o meu ser,
escondido, perdido,
por entre os cortinados que esvoaçam.

apetece-me dizer "entra"
ao sorriso de uma criança,
ao olhar a medo da gaivota,
á lua que envergonhada espreita,
ás estrelas que brilhando,
ofuscam meu olhar...

quedo, deixo-me ficar
vendo o tempo partir,
a vida na vida voar....




sábado, 27 de julho de 2013

sensações....



parecem possuídos os amantes
por entre as areias da praia...
caminhando entre outros, errantes,
buscando em cada espaço, seu espaço,
a libertação das chamas flamejantes...

as areias se movem pelo deambular
dos corpos suados,
inebriados pelo ondular do mar.
os lábios se contorcendo, 
os gestos ritmados,
no tempo embalados,
até á completa libertação, 
gemidos ecoando no ar...

em paz, olhando o azul mais azul do céu,
riem e choram como crianças felizes,
e do oficio parecem aprendizes,
até uma outra vez,
até as chamas se reacenderem...



imagem....



soltou seus longos cabelos,
despiu-se das vestes de passeio,
e assumiu sua liberdade na rua...

quem passava, parava, vê-la ali, dançando na chuva
ainda que semi nua,
contornos suaves, quase audazes,
tentadores, para quem sonha.

mas em tudo o resto, era alheio
seu corpo, que molhado pela chuva,
bronzeado sobressaindo nos parcos raios de sol,
dava asas à imaginação...e dançava...

e dançava... até seu corpo cair na exaustão...
deixou-se amparar pela árvore da praça,
pelo banco de jardim, refúgio de quem passa...
pudera eu te abraçar... ou só tocar tua mão....



sexta-feira, 26 de julho de 2013

Melodias....


sentou-se na berma da estrada,
e no silêncio do nada,
o seu silêncio era uma canção,
não uma canção sem alma
ou de vozes sem emoção,
mas uma canção celestial
como só é cantada
quando soa a voz do coração...

rendiam-se os animais escondidos
pela vegetação,
os arbustos, as árvores
que se vergavam, não pelo calor da estação,
mas pela emoção dos sentidos,
e ali, pasmados, entretidos,
se entreolhavam, no espaço perdidos,
ouvindo o silêncio...em forma de canção...

tristes os que não ouvem,
não sabem ouvir o silêncio,
tristes os que no ruído da vida
não param, escutam o próprio sangue correndo nas veias,
e sem alaridos, ou amarras das teias
com que se prendem, não vêm saída
para um caminho em forma de Luz...



quinta-feira, 25 de julho de 2013

apenas um gesto...



anda comigo
ver o mar,
sonhar navegar
em cada onda,
ainda que de areia
banhada pela espuma...
e, quando em mar alto,
quase tocando o céu,
eu te prometo,
se for noite de estrelas,
serás uma delas,
ainda que apoiada
sobre meus ombros...
Assim, bem no cimo,
sentirás a emoção
de que o teu mundo,
é o meu mundo,
bem na palma da mão...