sábado, 27 de julho de 2013

imagem....



soltou seus longos cabelos,
despiu-se das vestes de passeio,
e assumiu sua liberdade na rua...

quem passava, parava, vê-la ali, dançando na chuva
ainda que semi nua,
contornos suaves, quase audazes,
tentadores, para quem sonha.

mas em tudo o resto, era alheio
seu corpo, que molhado pela chuva,
bronzeado sobressaindo nos parcos raios de sol,
dava asas à imaginação...e dançava...

e dançava... até seu corpo cair na exaustão...
deixou-se amparar pela árvore da praça,
pelo banco de jardim, refúgio de quem passa...
pudera eu te abraçar... ou só tocar tua mão....



sexta-feira, 26 de julho de 2013

Melodias....


sentou-se na berma da estrada,
e no silêncio do nada,
o seu silêncio era uma canção,
não uma canção sem alma
ou de vozes sem emoção,
mas uma canção celestial
como só é cantada
quando soa a voz do coração...

rendiam-se os animais escondidos
pela vegetação,
os arbustos, as árvores
que se vergavam, não pelo calor da estação,
mas pela emoção dos sentidos,
e ali, pasmados, entretidos,
se entreolhavam, no espaço perdidos,
ouvindo o silêncio...em forma de canção...

tristes os que não ouvem,
não sabem ouvir o silêncio,
tristes os que no ruído da vida
não param, escutam o próprio sangue correndo nas veias,
e sem alaridos, ou amarras das teias
com que se prendem, não vêm saída
para um caminho em forma de Luz...



quinta-feira, 25 de julho de 2013

apenas um gesto...



anda comigo
ver o mar,
sonhar navegar
em cada onda,
ainda que de areia
banhada pela espuma...
e, quando em mar alto,
quase tocando o céu,
eu te prometo,
se for noite de estrelas,
serás uma delas,
ainda que apoiada
sobre meus ombros...
Assim, bem no cimo,
sentirás a emoção
de que o teu mundo,
é o meu mundo,
bem na palma da mão...




quarta-feira, 24 de julho de 2013

momentos.....



apenas um beijo na brisa da tarde,
um olhar ardente no tempo que passa,
um cigarro partilhado por entre o desejo
que fervilha, olhando o rio, águas mansas...

e de pequenos nadas, se faz história,
por entre caruma e azul confidente,
no silêncio dos pássaros que esvoaçam,
no comprometimento das árvores surdas...

deslizam as gaivotas nas águas paradas,
tecem-se sonhos na brisa que passa...




sexta-feira, 19 de julho de 2013

descendo a calçada....






felizes, descem a calçada,
rua de pedra mal amanhada,
os namorados da minha rua...

fito-os pela janela do tempo...

ela parece dizer-lhe que sim
por entre o olhar difícil de entender,
ele, sem jeito, olhar meigo e tenso,
deixa-se levar pelas pedras da calçada,
como se ao fim, houvera um jardim,
um jardim de promessas, ribeiro manso,
outros namorados em festim...




terça-feira, 16 de julho de 2013

lembranças....



lembras das pedras e das árvores
tristes, frondosas, mas tristes,
que flectiam na nossa passagem
como se augurassem má viagem?

sabes, lembro que os caminhos
subiam, subiam rumo ao céu,
que era azul, como o azul da alma,
como as manhãs que te vejo só com um véu...

incautos, descuidados e infelizes,
quanto fomos aprendizes
do tempo que não soubemos ler,
que do azul do céu, também pode chover....



gestos....




patéticos os gestos dos amantes,
que, irreflectidos,
se lambuzam para quem passa...
abanam a cabeça os mais crescidos,
invejam os restantes,
eu... eu fico feliz, se ela me abraça...






sábado, 13 de julho de 2013

contra a corrente....



ouves os sons da alma,
os repliques da dor?
os risos do silêncio,
as metamorfoses do amor?

descendo pelos confins da serra
de onde não se avista o mar
nem o carinho no olhar,
tudo é solidão...
é o arvoredo escondendo a luz,
vidas que não se vêm,
máquinas na contra mão...

descendo pelos confins da serra,
sonhando um dia subir...e tocar o céu...




quinta-feira, 27 de junho de 2013

gota de água...




hoje queria ser a água que rega o jardim,
a limpidez, a frescura que brota
das profundezas da terra...
de contentes, parece que as flores agradecem,
e sorriem,
como se numa gota de água,
existisse o elixir da primavera...


domingo, 23 de junho de 2013

tentação...



da sua boca, desprendiam-se os morangos,
as cerejas, colhidos na manhã.
cada fruto tinha lugar certo, ao deslizar
num corpo feito de contornos e textura tão suave...

os amantes tudo comiam, e se lambuzavam,
como se os frutos encarnassem no corpo humano,
apetecíveis, tentadores e irresistíveis,
como só os sentidos conseguem ver...







domingo, 16 de junho de 2013

parece que vai chover...













Adensa-se o cinzento na tarde,
parece que vai chover, ou então,
o sol de zangado se escondeu...
Assim, tristes ficam os namorados
e o vendedor de algodão doce,
que azedo, contabiliza o que perdeu.

as tardes de domingo deveriam ter luz,
muita cor, ruídos de criança,
horas de loucura e de esperança,
mesmo quando o dia a dia é uma cruz...

diz a moça ao companheiro, que o ama,
mas ele sabe que ela mente
porque o amor nas palavras se sente,
e na tarde triste, as palavras não têm chama...

tristes, sós os perdidos no amor,
os que se deixam iludir pelo tempo...
gloriosos, felizes, os que ao relento
adormecem com as estrelas, sem dor....



sábado, 15 de junho de 2013

vazio...



hoje não vi o pôr do sol,
nem a noite se abater sobre o mar...
hoje, não vi a lua chegar.
hoje, tudo era longe e tão perto,
como se perdido num deserto,
as areias me engolissem no nada.
solenemente, clamo pela madrugada....




sexta-feira, 14 de junho de 2013

o carteiro...


não me lembro de ver o carteiro chegar,
nem da campainha da porta tocar,
ou a cadela sempre atenta, ladrar...
se o carteiro não chegou,
não há carta ou postal ilustrado,
ou um bilhete envolto em laço...perfumado.
não há noticias, um coração pintado,
ou lágrimas de cor, de que tudo acabou.

revejo o "mail" novamente
como se o carteiro dissesse "presente"
em cada entrada, em cada dia ausente.
mas já nada tem piada ou emoção,
nem os bonecos para cada ocasião
dão vida á "carta", quantas vezes era entregue em mão...

saudades do carteiro de minha rua,
mas também das "cartas" que por mensagem recebia,
que deixava transparente quem as escrevia,
fazendo com que, a cada noite, morresse nos braços da lua...