sexta-feira, 19 de julho de 2013

descendo a calçada....






felizes, descem a calçada,
rua de pedra mal amanhada,
os namorados da minha rua...

fito-os pela janela do tempo...

ela parece dizer-lhe que sim
por entre o olhar difícil de entender,
ele, sem jeito, olhar meigo e tenso,
deixa-se levar pelas pedras da calçada,
como se ao fim, houvera um jardim,
um jardim de promessas, ribeiro manso,
outros namorados em festim...




terça-feira, 16 de julho de 2013

lembranças....



lembras das pedras e das árvores
tristes, frondosas, mas tristes,
que flectiam na nossa passagem
como se augurassem má viagem?

sabes, lembro que os caminhos
subiam, subiam rumo ao céu,
que era azul, como o azul da alma,
como as manhãs que te vejo só com um véu...

incautos, descuidados e infelizes,
quanto fomos aprendizes
do tempo que não soubemos ler,
que do azul do céu, também pode chover....



gestos....




patéticos os gestos dos amantes,
que, irreflectidos,
se lambuzam para quem passa...
abanam a cabeça os mais crescidos,
invejam os restantes,
eu... eu fico feliz, se ela me abraça...






sábado, 13 de julho de 2013

contra a corrente....



ouves os sons da alma,
os repliques da dor?
os risos do silêncio,
as metamorfoses do amor?

descendo pelos confins da serra
de onde não se avista o mar
nem o carinho no olhar,
tudo é solidão...
é o arvoredo escondendo a luz,
vidas que não se vêm,
máquinas na contra mão...

descendo pelos confins da serra,
sonhando um dia subir...e tocar o céu...