segunda-feira, 16 de maio de 2011

Jangada Real



O meu país, outrora de caravelas,

cascas de nós rasgando oceanos,

hoje é um país de jangadas,

tábua após tábua amarradas,

mastros fingindo ter velas,

numa manta de retalhos de muitos panos.


E este país que tem história,

dia após dia vai se afundando,

e o povo que era, perdeu memória,

ficou triste, de tudo se desligando,

e rio abaixo, numa triste jangada,

sonha, delira, ser engolido na enxurrada.


Recuso-me deitar a toalha ao chão,

ouvir os políticos com mais atenção.

Recuso-me fazer de conta que nada sei,

deixar-me iludir, seguir na jangada.

O meu país vai lutar, se for preciso contra a lei

e de uma jangada farei casa apalaçada

sábado, 14 de maio de 2011

Cuidando do Jardim





Ele pedia, e eu adiava, mas o tempo convidava para a azáfama natural de quem cuida das plantas, do relvado, das árvores que compõem este meu paraíso. E ganhando coragem, lá se começa, sempre com alguma reticência, mas no final, o prazer de ver que valeu a pena tanta canseira...

Olho o prédio em frente e numa das varandas viradas para o mar, um casal se bronzeia deitados em cadeiras...Comparo este meu momento com o deles e reconheço, que apesar do cansaço, sinto-me mais feliz, mais realizado, com o sol que apanhei cuidando do jardim...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

A noite...



No silêncio escutaste minhas preces,

e no silêncio foste ganhando forma,

sim noite, por ti suplico em cada fim de tarde

como se tua ausência fosse meu fim,

como se as trevas fossem a outra parte de mim...


Toma-me em teus braços, afaga meus sonhos,

embala-me até o amor ressuscitar,

e quando ela (o outro amor) chegar,

faça-se festa, a vida irá renascer

em dois corpos comungando prazer...

terça-feira, 10 de maio de 2011




Horas tardias, horas serenas,

convite à paz, à reflexão...

No cimo de um prédio, como que em comunhão,

dezenas de pombos,

todos juntos, quem sabe em "oração"...

Nada digo, nada faço...nem sequer um suspiro,

e passada larga, continuo o caminho,

não vá chamar a atenção...

Se inquieta meu espírito,

se arrepiam meus poros, meu coração,

imaginando seres, corpos em reencarnação,

preparando um qualquer festim...

"Deixai seguir meu caminho,

estou só, pobre de mim,

ainda não soou meu destino..."

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Um Dia...


Um dia, prometo não mais sonhar,

nem ver o que só meus olhos vêm,

não ouvir os sons do coração,

nada sentir pelo gelo de minhas mãos...

Um dia, prometo que me vou despedir

das mil e uma aventuras,

das horas mortas que renasciam,

das noites que sem ver o dia, se sucediam,

e aos olhos dos outros eram impuras...

Um dia, o cinzento tomará o azul do céu,

e a noite se abrirá me tomando seu,

eternamente seu...

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Do Teu Altar...

Em cima de um móvel,

móvel mais branco que a luz,

fiz Teu altar...

Simples mas destacado,

onde não faltam flores,

ou uma luz que se ergue na noite...

E é ali que me ouves,

que porventura me benzes

antes de seguir meu caminho.

Te rezo baixinho,

como se Te falasse ao ouvido...

E eu sei que me ouves,

e o quanto me tens protegido...


domingo, 24 de abril de 2011

25 de Abril



Mais um Domingo de Páscoa que está a terminar, e foi mais um dia que se cumpriu todo o ritual. No entanto sinto que poderia ter feito muito mais, viver o momento muito mais, mas não o fiz, e daí algum vazio que fica...


Amanhã, 25 de Abril, deveria ser um dia para comemorar, ou pelo menos acompanhar as comemorações que por certo se irão realizar. A nível do parlamento sei que nada vai haver porque aquele foi dissolvido (e se não fosse, eu iria assistir? - talvez ouvisse um ou outro discurso...).

Assim, cheira-me que não vai passar de mais um dia feriado, e que até calha bem porque está mesmo "encostadinho" ao Domingo de Páscoa. Que bom para quem conseguiu tirar umas míni férias de quatro dias, porque o "25 de Abril" já foi, e espera-se, desespera-se que aconteça algo, que faça mudar este rumo, este andar das coisas que parece nos levar a algum abismo...

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Sexta Feira Santa


Tarde de Sexta Feira Santa,

chuvosa, de um cinzento triste,

como se Alguém nos quisesse lembrar,

que o que vamos celebrar,

aconteceu mesmo um dia...


Fico a pensar, a meditar um pouco,

e mesmo com alguns sinais,

caminhamos em frente,

alheados, de tudo ausente,

numa vida tão materialista...


No ar, um cheirinho a café,

(meu pensamento se alheia de tudo),

e eu desço, despido da religião,

mas com sentimento de fé

que extravasa meu coração...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Páscoa



Busco na memória tempos passados,

lembranças, cheiros, pessoas, tradições...

A visita pascal,

todo o cerimonial,

o ruído pelas ruas e campos...


E no entanto passa o compasso,

o ruído da sineta no ar,

a rapidez visível no acto,

como se o tempo mandasse,

como se o tempo a fé calasse...


Na memória, um cheiro, um ruído

do sino que ecoava no tempo

Um folar esperado um ano inteiro

E hoje, tanta dificuldade em reter...

preciso acordar, mexer...preciso viver..




quinta-feira, 14 de abril de 2011

Voando nas Nuvens...



Subimos a mais alta montanha,

tocamos o céu, viajamos nas nuvens.

O destino nos deu asas, asas de condor,

e nos lançamos no espaço,

paraíso dos sentimentos,

jardins suspensos do amor.


E como duas crianças, sorriamos,

fazíamos piruetas, cambalhotas,

mãos nas mãos, nos perdíamos

em olhares sedutores...

Oh, maldição...O destino nos enganou,

por nós chamam os verdadeiros amores...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

TEU NOME...

Não consigo soletrar teu nome,

(seria suspeito),

no meu sorriso, na minha feição,

o sentimento estampado

que trago no meu peito...


Assim, te guardo dentro de mim,

e nas horas tardias,

quando a lua acordar,

lerá nos meus olhos, letra a letra,

e no teu ouvido vai te chamar...

domingo, 10 de abril de 2011

LUA...




Olho-te Lua,

mingua, perdida no céu,

e imagino-te nua,

dançando entre as estrelas...


Fascinas-me...

olho-te Lua,

e imagino-te nua...

Sigo-te, perdido, só, pela rua...

sexta-feira, 8 de abril de 2011

No Meu Jardim



Vesti meu fato de hortelã,

calcei minhas luvas de cetim,

nos meus pés, pantufas de lá,

e perfumei meu corpo de alecrim.


Suavemente, entro no meu paraíso,

e a medo toco cada flor.

Em cada pétala, um sorriso,

um exalar perfume com amor.


Rodopio, danço de alegria,

e elas coram na fantasia,

como se este fosse o melhor mundo.


Paro um pouco, fito a realidade,

logo logo virá a tesoura, crueldade,

um corte, separação, sofrimento profundo...